Banco do Brasil Compartilhe Facebook Instagram Whatsapp X/Twitter

SAÚDE E CONDIÇÕES DE TRABALHO

CEBB denuncia assédio moral e metas inatingíveis e cobra do Banco do Brasil solução definitiva para a Cassi

23 de Julho de 2026 às 18:46


Na terceira rodada de negociação do acordo específico do Banco do Brasil da Campanha Nacional 2026, que discutiu nesta quinta-feira 23 de julho o tema saúde e condições de trabalho, a Comissão Nacional de Empresa dos Funcionários denunciou o assédio moral dentro da empresa para o cumprimento de metas abusivas, que está aumentando dramaticamente os adoecimentos e a precarização das condições de trabalho e do atendimento à população.

Os representantes dos funcionários reivindicaram a realização de novo concurso e a contratação de mais funcionários, sobretudo nas agências, e voltaram a exigir do banco mais rapidez na construção de uma solução urgente e definitiva para a sustentabilidade da Cassi. E, depois disso, buscar finalmente uma solução para a adesão dos funcionários dos bancos incorporados à Cassi e à Previ, além de Cassi patrocinada pelo banco para funcionários que ingressaram após 2018.

“Debatemos hoje um assunto extremamente importante para nós, que é saúde do trabalhador. Abrimos a mesa falando da importância da Cassi, que o banco tem que assumir essa responsabilidade pelo custeio. A gente vem há bastante tempo debatendo a sustentabilidade da Cassi com o banco, só que eles precisam fazer um aporte urgente. A gente não pode chegar agora em novembro e a Cassi não ter como pagar seus prestadores de serviço”, criticou Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa.

“O banco precisa assumir essa responsabilidade pela parte dele. Então a gente reforçou aqui em mesa esse pedido para que o banco resolva definitivamente a situação da Cassi. Que ao menos o banco coloque um aporte nesse momento para resolver o déficit que já temos esse ano”, acrescentou Fernanda.

Assédio moral, metas abusivas e adoecimentos

O ponto seguinte na mesa de discussão foi sobre aumento brutal de adoecimentos no Banco do Brasil, principalmente mental. Numa consulta que fizemos os bancários do BB, mais de 40% dependem de remédios controlados. Então, isso é adoecimento fruto do trabalho. O banco tenta dizer que não é necessariamente isso, que a população brasileira toda adoece, mas não é o que acontece. Dentro do banco, é um índice muito maior”, informou a coordenadora da Comissão de Empresa.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Rodrigo Britto, "está havendo um desmonte de toda a rede de varejo do Banco do Brasil, que está fazendo com que todo o funcionalismo seja prejudicado, porque a empresa deixa de fazer o seu papel público e que, mantendo essa lógica, não tem por que existir Banco do Brasil. Então, o BB precisa dar uma guinada radical para que realmente cumpra o seu papel de agente creditício do Estado, porque, se continuar atendendo apenas, em teoria, aos interesses dos acionistas minoritários e da Faria Lima, não tem por que existir como banco público”.

Rodrigo abriu a mesa de negociação informando sobre o ato realizado pelo Sindicato de Brasília nesta quinta-feira 23 de manhã em frente ao Edifício Sede BB, em preparação às negociações. Leia aqui como foi o ato e assista abaixo vídeo com Rodrigo durante a manifestação.

Os representantes dos funcionários cobraram que o banco “se comprometa a cuidar dos trabalhadores e isso depende diretamente de melhores condições de trabalho”, sustentou Fernanda. “Não dá pra gente ser sobrecarregado com metas como acontece hoje. Quando percebe que a maioria não atingiu suas metas, aí o banco tenta mexer em algum indicador para que as dependências consigam atingir. E não deveria ser assim, deveria ser pensado antes para que a pessoa tenha tranquilidade para trabalhar sabendo que aquela meta é atingível.”

Fernanda Lopes fez uma associação entre as despesas da Cassi e os adoecimentos em razão do trabalho. “Além achatamento salarial após reestruturações, o número crescente de adoecimentos em razão do trabalho, sobretudo distúrbios mentais, sobrecarregam os gastos da Cassi. Aumentam diversos tipos de dependências e o número de funcionários tomando medicamento tarja preta. Já virou uma coisa normalizada. Melhorando as condições de trabalho e a qualidade de vida vão reduzir o número de adoecimentos e vai aliviar também os gastos da Cassi”, disse Fernanda.

PSO

A Comissão de Empresa também discutiu com o banco na reunião desta quinta-feira sobre o PSO. “Os colegas da PSO estão sobrecarregados, estão fazendo uma série de tarefas não necessariamente ligadas à sua função de caixa, além de outros tantos colegas que são escriturários, e que não recebem como caixa mas estão exercendo essa função”, criticou Fernanda.

São situações que precisam ser tratadas com urgência e não podem mais ser ignoradas. Os gerentes estão acumulando serviços administrativos com negociais, e existem situações de escriturários responsáveis por tarefas como abastecimento de TAA e gestão de numerário, em flagrante desvio e acumulo de funções. O movimento reivindica que aqueles que abrem caixa uma vez sequer, sejam nomeados em cargos de assistente.

Também foi reforçada a importância de que os colegas PSO tenham tempo garantido para treinamento, uma vez que vem absorvendo funções novas, estranhas as suas atribuições com frequência.

Fonte: Fetec-CUT/CN e Contraf-CUT

Sindicatos Filiados