
O Sindicato realizou, nesta quinta-feira (23), um grande ato em frente ao Edifício Sede 1 do Banco do Brasil, na Asa Norte, antes da terceira rodada de negociação específica com a instituição. A mobilização cobrou avanços em saúde e condições de trabalho, valorização do funcionalismo e fortalecimento do papel público e social do banco.
A atividade reuniu bancárias, bancários e dirigentes sindicais, com informes sobre a Campanha Nacional. Em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), também foram oferecidos produtos orgânicos a sindicalizados, aproximando a defesa da agricultura familiar do debate sobre a atuação do Banco do Brasil no financiamento do desenvolvimento do país.
Presidente da Fetec-CUT/CN e do Sindicato, Rodrigo Britto criticou a estratégia do banco que prioriza os interesses dos acionistas privados em detrimento da sua função pública, dos trabalhadores e da população. “Estamos defendendo um Banco do Brasil forte, que cumpra sua função pública e social, e não um banco que priorize o acionista privado enquanto penaliza o funcionalismo com metas abusivas e sobrecarga de trabalho”, afirmou.
Britto também chamou atenção para a redução dos recursos destinados à agricultura familiar, ao crédito para micro e pequenas empresas e para a precarização da rede de atendimento. Segundo ele, o fechamento de postos de trabalho e a insuficiência de funcionários nas agências atingem tanto os empregados quanto a população.
A presença do MST reforçou esse debate. Para os dirigentes, os alimentos produzidos pela agricultura familiar mostram que o Banco do Brasil pode desempenhar um papel mais ativo no apoio a modelos sustentáveis de produção, geração de renda e desenvolvimento social.
Saúde e condições de trabalho na mesa
A negociação desta quinta-feira tem como temas centrais a saúde e as condições de trabalho. Rafael Saldanha, dirigente do Sindicato, afirmou que o modelo de gestão adotado pelo banco, baseado em pressão, medo e cobrança excessiva por metas, vem ampliando o adoecimento entre os funcionários. “Precisamos negociar políticas concretas de proteção à saúde. O modelo de gestão baseado na pressão e no medo está adoecendo os trabalhadores. Temos agências funcionando com metade do quadro, e clientes esperando mais de duas horas por atendimento. Essa situação se tornou insustentável”, denunciou.
Saldanha acrescentou que a direção do BB já conhece os dados e o diagnóstico apresentado pelas entidades. Para ele, o banco precisa ouvir seus funcionários e assumir compromissos capazes de prevenir o adoecimento e proteger quem já enfrenta problemas de saúde relacionados ao trabalho.
A diretora do Sindicato Elis Regina Camelo também relacionou a defesa da função social do banco à valorização dos empregados. A dirigente ressaltou que uma instituição com a importância do BB não pode ignorar a qualidade de vida de seus trabalhadores e reforçou o combate às metas abusivas como uma das prioridades da Campanha Nacional 2026.
Além da saúde, os dirigentes cobraram mudanças na estrutura de carreiras. Wadson Boaventura, ex-diretor da Fetec-CUT/CN e bancário aposentado do BB, destacou a necessidade de revisão do plano de cargos e salários e de correção das diferenças remuneratórias entre trabalhadores que exercem as mesmas atividades. A avaliação é de que a ausência de regras mais justas amplia desigualdades e alimenta o passivo trabalhista da instituição.
Mobilização dentro e fora das mesas
Jeferson Meira, o Jefão, que é diretor da Contraf-CUT, destacou que o ato integra uma agenda de mobilizações realizada em diferentes regiões do Distrito Federal. Nos últimos dias, as entidades percorreram agências de Taguatinga, Samambaia e Ceilândia, por exemplo, dialogando com a categoria e informando os clientes sobre o fechamento de unidades, a redução do atendimento e os problemas enfrentados nos locais de trabalho.
“A campanha está nas mesas de negociação, mas também está nas agências e nos prédios administrativos. Precisamos conversar com os trabalhadores e mostrar à população como as decisões dos bancos afetam o atendimento e a vida da categoria”, afirmou.
Rafael Guimarães, dirigente do Sindicato, reforçou que a participação dos funcionários será decisiva para ampliar a força da negociação. Para o dirigente, uma categoria organizada e mobilizada aumenta a capacidade de pressão e reduz o risco de que o enfrentamento seja adiado para momentos mais difíceis da campanha.
Ao encerrar o ato, Rodrigo Britto dirigiu uma cobrança ao Conselho Diretor do Banco do Brasil: “Respeite a história do Banco do Brasil, respeite sua função pública e social, mas, principalmente, respeite seu maior patrimônio: suas funcionárias e seus funcionários.”
Victor Queiroz
Colaboração para o Sindicato


