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ROUBO MASTER

Vorcaro acusa Ibaneis de exigir R$ 400 milhões em propina no negócio BRB-Master

28 de Outubro de 2026 às 16:54


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acusou o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) de exigir R$ 400 milhões em propina para viabilizar o negócio com o Banco de Brasília (BRB). A revelação foi publicada nesta quarta-feira (21) pelo UOL, com base em mensagens obtidas pela Polícia Federal e em uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro.

Segundo o relato do banqueiro, o acerto teria ocorrido em setembro de 2024, após seu primeiro encontro com Ibaneis, em uma conversa com o empresário Leonardo Valverde, apontado como braço direito do ex-governador. Metade do valor seria paga em espécie e metade por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia. Vorcaro também afirmou que Ibaneis receberia uma participação de 5% no banco resultante da operação, por meio de uma empresa de fachada.

O banqueiro disse ter antecipado aproximadamente R$ 80 milhões em espécie, entregues por seu motorista a Valverde, em Brasília. As mensagens registram pelo menos dez ocasiões em que o motorista tratou de entregas a uma pessoa identificada como “Léo” ou “Dr. Léo”, que a PF suspeita ser o empresário. Esses registros, porém, não comprovam por si só que as encomendas continham propina.

Além da acusação, a reportagem apresenta diálogos sobre a participação de Ibaneis nas articulações entre BRB e Master. Segundo o UOL, o ex-governador “pilotou” a operação, acompanhando aumentos de capital, compras de carteiras e a tentativa de aquisição do banco privado.

As declarações de Vorcaro foram prestadas durante as tratativas de colaboração premiada. O Correio Braziliense informou ter confirmado o relato com fontes na Polícia Federal, mas destacou que a tentativa de acordo não avançou porque o banqueiro não apresentou provas suficientes para sustentar suas declarações. A defesa de Ibaneis nega as acusações, questiona a existência de provas e afirma que o ex-governador não interferia nas decisões do BRB.

As revelações se somam às mensagens que já haviam colocado em discussão a versão de Celina Leão (PP), vice de Ibaneis durante as negociações e atual governadora. Em setembro, a Folha de S.Paulo publicou uma conversa na qual Vorcaro afirmou que ela “não ficou de fora” da operação. Celina negou participação e declarou que sempre foi contrária ao negócio. Embora o material não descreva uma atuação concreta da governadora, ele expõe versões conflitantes sobre o conhecimento e a participação da cúpula do GDF nas tratativas.

A alegação de autonomia da direção do BRB, apresentada pela defesa de Ibaneis, e a negativa de participação de Celina deixam uma questão central: como o governo acompanhou decisões dessa dimensão envolvendo o banco público? Se a então vice-governadora se opunha ao negócio, que providências tomou para tentar impedi-lo? Quais alertas e iniciativas ficaram registrados? A população precisa conhecer os atos de quem governava, além das explicações dadas depois que o caso veio a público. Defender o BRB exige esclarecer essa história e apurar responsabilidades.

Fonte: Seeb Brasília

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