
Agência Brasil-EBC
Vero Notícias afirma que Governo do DF prepara venda do banco à iniciativa privada. Informação contrasta com declarações anteriores da governadora e amplia preocupação sobre empregos e futuro do banco público
Uma reportagem exclusiva do portal Vero Notícias, publicada nesta terça-feira (22) e assinada pelos jornalistas Thiago Cabral e Lucas Valença, afirma que o Governo do Distrito Federal prepara o BRB para a privatização após as eleições de 2026.
Segundo o portal, a justificativa que estaria sendo construída é a de que a dimensão da crise decorrente das operações realizadas com o Banco Master teria deixado o banco sem uma solução pública viável. A reportagem afirma ainda que o plano incluiria a separação de ativos considerados menos atrativos, que permaneceriam sob responsabilidade pública, para tornar a parcela a ser negociada mais interessante ao mercado privado.
Em abril, porém, Celina Leão declarou publicamente que não pretendia privatizar o BRB. Em entrevista à CNN em abril deste ano, a governadora afirmou que privatização deveria ocorrer apenas quando uma empresa pública provocasse prejuízos contínuos ao Estado e classificou a crise do BRB como "pontual". Dias antes, a Folha de S.Paulo havia informado que Celina reclamava das pressões pela venda e dizia que trabalharia para preservar o banco público.
A contradição entre esses registros e o que agora é relatado pela imprensa precisa ser esclarecida pelo Governo do Distrito Federal. Se confirmadas as informações, o GDF precisa explicar quando essa posição mudou, por que mudou e quais decisões já estão sendo tomadas nos bastidores.
A preocupação aumenta porque a notícia sobre eventual privatização surge em meio a outras informações relacionadas à reestruturação do banco.
Para o Sindicato, os empregados não podem ser transformados em variável de ajuste de uma crise que não provocaram. São bancárias e bancários que construíram o BRB durante décadas, mantêm o atendimento à população e sustentam diariamente uma instituição estratégica para o Distrito Federal. Qualquer plano envolvendo redução do quadro, fechamento de unidades, terceirização ou mudança do controle do banco precisa ser discutido com os trabalhadores e com a sociedade.
O GDF é o acionista controlador do BRB e recebeu autorização legislativa para adotar medidas de recomposição e fortalecimento patrimonial do banco, inclusive aportes, alienação de ativos e operações de crédito. A Lei nº 7.845, sancionada em 10 de março de 2026, estabeleceu como finalidade expressa a preservação do interesse público.
Celina deve explicações
Diante das novas informações, a governadora precisa responder de forma objetiva: existe ou não um plano para privatizar o BRB após as eleições? O GDF ou o banco já contrataram consultorias, bancos de investimento ou outros agentes para estudar venda, mudança de controle ou entrada de investidores privados? Há intenção de separar ativos e passivos antes de uma eventual negociação? Qual é o projeto do Governo do Distrito Federal para garantir que o BRB permaneça público? E, se a posição oficial continua sendo contrária à privatização, por que informações tão detalhadas sobre uma eventual venda estão sendo relatadas pela imprensa?
A discussão não pode ser tratada apenas como uma questão interna do BRB. O banco exerce papel relevante no crédito, no financiamento da economia local, na execução de políticas públicas e em serviços utilizados diariamente pela população do Distrito Federal.
Se existem alternativas públicas para recuperar e fortalecer a instituição, a população tem o direito de saber quais são, quanto custam, em que prazo podem ser implementadas e por que uma eventual privatização estaria sendo considerada.
O Sindicato seguirá defendendo a apuração de todas as responsabilidades relacionadas à crise, a recuperação dos recursos, o fortalecimento financeiro da instituição e a proteção de quem não causou o problema: os trabalhadores e a população.
O BRB completou 60 anos como banco público de Brasília. Resta a pergunta que o GDF ainda não respondeu: existe ou não um plano para privatizá-lo depois das eleições?
Da Redação


