
A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (28) Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e outras 13 pessoas por suspeitas de crimes nas operações entre as instituições. O relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal aponta fraudes em negociações de R$ 17,5 bilhões. O avanço da investigação reforça a importância da fiscalização cobrada pelo Sindicato dos Bancários de Brasília desde 2023, antes de a tentativa de compra do Master se tornar pública.
A apuração indica que a administração do BRB conhecia problemas nas carteiras de crédito e, mesmo assim, manteve as compras. Segundo trechos do relatório publicados pela Folha de S.Paulo, em agosto de 2024 houve um alerta de que cerca de 90% de uma carteira apresentava falhas ou não atendia aos critérios do banco. Em janeiro de 2025, após uma avaliação técnica reduzir o valor de outra carteira, a presidência questionou a análise e os critérios foram alterados, elevando o montante.
Ainda em novembro de 2023, o Sindicato levou preocupações sobre a gestão do BRB à Diretoria de Fiscalização do Banco Central. Em novembro e dezembro de 2024, com o apoio da deputada federal Erika Kokay, reuniu-se com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e voltou ao Banco Central, alertando sobre problemas de governança, riscos à instituição e a necessidade de preservar o patrimônio público.
Com o anúncio da tentativa de aquisição do Master, o Sindicato intensificou sua atuação. Em abril de 2025, apresentou representações ao Banco Central e à CVM e ingressou com ação popular contra a operação. Em julho, acionou o Ministério Público Federal para pedir a apuração de indícios de gestão temerária e irregularidades na aquisição. Em agosto, levou ao Ministério Público do Trabalho os riscos aos empregos e aos direitos dos bancários. Mesmo após o veto do Banco Central à compra, manteve a cobrança por responsabilização e recuperação dos recursos.
O indiciamento, porém, não encerra as perguntas sobre a participação de agentes políticos nas operações. Ibaneis Rocha não está entre os 15 indiciados, mas foi citado por Vorcaro em uma proposta de delação premiada, conforme reportagem do UOL publicada em 21 de outubro. O banqueiro afirmou que o então governador teria exigido R$ 400 milhões em propina para viabilizar o negócio entre BRB e Master. A proposta de delação não foi aceita, e a acusação ainda depende de comprovação. Ibaneis nega irregularidades.
A atuação do governo do Distrito Federal e as providências tomadas diante dos riscos ao banco continuam exigindo esclarecimentos. A PF pediu mais 60 dias para concluir diligências, e caberá à Procuradoria-Geral da República avaliar a apresentação de denúncia. O indiciamento não representa uma condenação.
Para o Sindicato, a investigação precisa alcançar todos os responsáveis cuja participação seja comprovada, independentemente do cargo ocupado. A defesa do BRB público exige transparência, proteção dos empregos e dos direitos dos trabalhadores e preservação de sua função social. Os empregados e a população não podem arcar com a conta das decisões investigadas.
Quem foi indiciado
Além de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, foram indiciados Augusto Ferreira Lima, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, Alberto Félix de Oliveira Neto, Luiz Antonio Bull, Dário Oswaldo Garcia Júnior, Allan da Silva Machado, Daniel Lopes Monteiro, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, Henrique Souza e Silva Peretto, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Luana de Andrade Ribeiro, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior.
Da Redação com informações do UOL


