
São Paulo – O 1º de Maio, como tradicionalmente acontece há 130 anos, mais uma vez ecoou em diferentes línguas, sotaques e tons as angústias, celebrações e aspirações do mundo do trabalho. No Brasil, as relações entre capital e trabalho – também em alguns aspectos entendida como luta de classes – nunca estiveram tão azedadas como atualmente pelo menos desde os anos 1950/60, entre a tentativa de golpe contra Getúlio Vargas e o golpe consumado contra João Goulart.
Ambos em atos de violação explícita da ordem institucional e democrática, e tendo como operadores os mesmos de hoje: detentores do grande capital, dos meios comerciais de comunicação, e como principal argumento para seduzir os habitantes dos andares inferiores o combate à corrupção. Enfim, é o andar de cima da luta de classes com seu “poder de sedução” – concentrado na mídia, em setores do Judiciário e em rios de dinheiro com que mantêm seus representantes no Legislativo. Sempre em erupção quando a democracia passa dos limites e, por meio dela, o andar de baixo começa a se empoderar, ainda que sob regime de conciliação de classes. Para embelezar o golpe, desta vez dão-lhe o nome de Ponte para o Futuro.
Assim, o 1º de Maio no Brasil não poderia ter outro assunto principal que não a tentativa do andar de cima de derrubar o governo trabalhista de Dilma Rousseff – ainda que ela tenha dado tantos sinais de que o grande capital não teria de se preocupar com seus anéis, tampouco com seus dedos.
Este Dia do Trabalho teve, portanto, como ponto central a defesa da democracia, e de tudo aquilo que está inscrito na Constituição. Como bem definiu a presidenta Dilma, em seu discurso no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, os que operam o golpe contra seu mandato têm todo direito de oferecer seu programa à sociedade, mas não podem impor seu projeto à força. E o que querem impor não foi o programa que venceu as eleições.
Os atos por todo o país celebraram o sabor das conquistas alcançadas nos últimos 130 anos, e a disposição de ir à luta contra os que pretendem ver a relação capital e trabalho se tornar tão desigual com eram em maio de 1886 – levando à luta aqueles operários de Chicago, em muitos à morte. Foi um 1º de Maio de rebelião contra a construção de uma ponte para o passado.
- MIDIA NINJA E MARCIA MINILLO/RBA
- Dilma avisou aque vai resistir. Tico Santa Cruz, do Detonautas, de camisa na UNE, bandeira da CUT e boné do Chê, disse que tem lado
- TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
- No Rio, CUT promoveu manifestação na Lapa. E junto com a Frente Brasil Popular (abaixo), dia de luta contra o impeachment
- SUMAIA VILELA/FRENTE BRASIL POPULAR
- Recife foi palco de protestos pela democracia. E sobrou para o golpista Habib’s, aos gritos de “fecha! fecha!”
- MIDIA NINJA
- Porto Alegre deu o recado e nome aos bois, assim como Fortaleza (abaixo)
- MIDIA NINJA
- Brasília teve 'desvotação' dos cidadãos inconformados com os senadores que, apoiam o impeachment mesmo sabendo que, sem crime, é golpe
- MIDIA NINJA
- Em Belo Horizonte, Levante Popular da Juventude faz escracho no prédio do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), campeão de pedaladas que quer derrubar a presidenta por muito menos do que ele fez quando governador
- ISMAEL FRANCISCO/CUBADEBATE/FOTOS PÚBLICAS
- Em Havana, milhares acompanharam desfile. No detalhe, Gerardo Hernández, um dos heróis cubanos presos nos EUA por defender seu país de ataques terroristas provenientes do andar de cima
- ISMAEL FRANCISCO/CUBADEBATE/FOTOS PÚBLICAS
- Cubanos também mandaram apoio contra golpe no Brasil. Para quem acha que Cuba não vale por ser capital mundial do socialismo...
- JORNALISTAS LIVRES/REPRODUÇÃO
- ... então fique com o apoio vindo de Nova York, capital mundial do democrático sonho americano


