
Neste texto você verá:
- Lucro líquido contábil da Caixa alcança R$ 3,469 bilhões no 1º trimestre de 2026;
- Carteira de crédito supera R$ 1,4 trilhão, com destaque para habitação;
- Caixa movimenta R$ 105,5 bilhões em benefícios sociais;
- Receita de serviços cresce 12,5% em 12 meses;
- Empregados cobram valorização, contratação de pessoal e melhores condições de trabalho.
Leia o texto na íntegra
A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido contábil consolidado de R$ 3,469 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo balanço divulgado pelo banco nesta sexta-feira (15). O resultado representa queda de 43,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o lucro havia sido de R$ 6,101 bilhões.
Já o lucro líquido recorrente ficou em R$ 3,5 bilhões, redução de 34,4% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado e crescimento de 25,4% em relação ao quarto trimestre de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente foi de 9,3%.
A queda do lucro da Caixa no primeiro trimestre de 2026 foi fortemente impactada pelo aumento das despesas com provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD), que somaram R$ 6,5 bilhões no período. O valor representa alta de 211,5% em relação ao mesmo trimestre de 2025, refletindo maior necessidade de cobertura para riscos de inadimplência na carteira de crédito.
Fundamental para o país
Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), Felipe Pacheco, os resultados demonstram a importância estratégica da Caixa para o desenvolvimento econômico e social do país, mas também evidenciam a necessidade de valorização do quadro de pessoal.
“A Caixa segue sendo fundamental para o Brasil. É o banco que garante crédito habitacional, operacionaliza políticas públicas, atende milhões de brasileiros e movimenta programas sociais essenciais. Esses resultados são construídos diariamente pelos empregados e empregadas da Caixa, que sustentam o banco mesmo diante de condições de trabalho cada vez mais difíceis”, afirmou.
Felipe Pacheco criticou o aumento da pressão sobre os trabalhadores e trabalhadoras do banco. “Os empregados convivem com sobrecarga, cobrança excessiva por metas, déficit de pessoal, reestruturações permanentes e acúmulo de funções. Ao mesmo tempo em que a Caixa amplia resultados, digitaliza processos e cresce em diversas áreas, os trabalhadores seguem adoecendo em função da pressão cotidiana. É preciso transformar parte desse resultado em valorização concreta para quem faz o banco funcionar”, destacou.
O coordenador da CEE também defendeu mais transparência nos programas de remuneração variável e melhores condições de trabalho. “Os empregados querem reconhecimento, valorização e transparência. Não é razoável que trabalhadores que entregam resultados bilionários convivam com insegurança sobre critérios de remuneração variável, metas inalcançáveis e falta de pessoal nas unidades. Defender os empregados também é defender a qualidade do atendimento prestado à população”, ressaltou.
Felipe reforçou ainda a defesa da Caixa 100% pública. “A Caixa pública é indispensável para o país. Nenhum banco privado teria compromisso com habitação popular, inclusão bancária, desenvolvimento regional e execução de políticas sociais como a Caixa tem. Fortalecer a Caixa e valorizar seus empregados é defender o desenvolvimento do Brasil”, concluiu.
Outros números
A carteira de crédito da Caixa encerrou março de 2026 em R$ 1,410 trilhão, crescimento de 11,3% em 12 meses e de 2,3% na comparação com dezembro de 2025. O principal destaque segue sendo o crédito imobiliário, que avançou 13,9% em relação a março do ano passado.
Somente no primeiro trimestre, a Caixa contratou R$ 64,2 bilhões em crédito imobiliário, aumento de 30,6% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo o banco, as operações permitiram o acesso de 702,4 mil pessoas à moradia própria e contribuíram para a geração de 517 mil empregos diretos e indiretos.
O banco também manteve papel central na execução das políticas públicas do governo federal. No trimestre, foram pagos R$ 105,5 bilhões em benefícios sociais e programas governamentais. Entre os principais itens estão R$ 38,4 bilhões do Bolsa Família, R$ 42,8 bilhões em benefícios do INSS, R$ 13,5 bilhões em seguro-desemprego e R$ 4,6 bilhões em abono salarial.
As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias totalizaram R$ 7,4 bilhões, crescimento de 12,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já as despesas administrativas (que incluem despesas de pessoal e outras despesas administrativas) chegaram a R$ 11,5 bilhões, alta de 6% em 12 meses.
Outro dado que impactou o resultado foi a despesa de provisão para perdas associadas ao risco de crédito, que alcançou R$ 6,5 bilhões no trimestre. O próprio banco ressalta que a comparação com períodos anteriores deve considerar os efeitos da adoção da Resolução CMN nº 4.966/2021, que alterou critérios de contabilização e provisão de perdas esperadas no sistema financeiro.
Veja os dados completos do balanço e do Relatório de Análise de Desempenho da Caixa no primeiro trimestre de 2026, que foram divulgados nesta sexta-feira.
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