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ACORDO ESPECÍFICO

Forte mobilização marca sexto dia de greve da Caixa, que retoma mesa de negociação nesta quarta-feira 16

15 de Setembro de 2026 às 15:24


A greve dos empregados da Caixa chegou ao sexto dia nesta terça-feira 15 (e 11º dia no Pará), com dirigentes sindicais e trabalhadores mobilizados desde cedo em Brasília, sede do banco, nas outras bases da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) e em todo o país. A forte presença nos comitês de esclarecimento e a grande adesão à paralisação mantêm a cobrança para que a direção do banco retome as negociações e apresente uma proposta que respeite os direitos da categoria.

Na avaliação do dirigente do Sindicato Antonio Abdan, representante da Fetec-CUT/CN na Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (Cee/Caixa), o movimento mantém a força demonstrada nos dias anteriores. Durante a manhã, ele relatou a entrada reduzida de empregados no edifício Matriz I e cobrou uma resposta do banco à disposição dos trabalhadores para negociar. “Estamos esperando que a Caixa venha e apresente propostas que de fato valorizem os seus empregados”, afirmou.

A pressão surtiu efeito. Antes do meio-dia, em resposta à Contraf-CUT, a Caixa marcou uma nova mesa para esta quarta-feira (16). A definição da data dá consequência ao compromisso de reabrir o diálogo, assumido pela empresa após a rejeição da última proposta e a continuidade da greve.

A presidenta do sindicato de Campo Grande e vice-presidente da Fetec-CUT/CN, Neide Rodrigues, destaca a força e a união dos bancários como fatores decisivos para pressionar a instituição financeira a retomar o diálogo. "Os bancários da Caixa estão mostrando sua força e união, fazendo com que o banco voltasse à mesa de negociação. Agora, precisamos reforçar a pressão para que a instituição apresente respostas às reivindicações da categoria", reforça Neide.

“A mobilização precisa continuar, assim como o processo negocial”, aponta a coordenadora da Caixa Econômica Federal e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Luiza Hansen. “Sem a trajetória de unidade nacional e das mesas de negociação, não teríamos avançado em conquistas históricas, como a jornada de 6h, o direito à sindicalização e resistido às ameaças de privatização nos governos FHC, Temer e Bolsonaro. Foi também por meio da mesa única que conquistamos o plano de saúde próprio, a PLR Social e tantos outros avanços em acordos coletivos", completa a dirigente.

Entre as conquistas dos empregados da Caixa, obtidas por meio da mobilização das mesas de negociação, estão:

- Jornada de 6 horas (1985): conquistada após uma greve nacional histórica de 24 horas, que também garantiu o direito à sindicalização dos empregados do banco.
- Mesa única de negociação (1999): formalização da unidade nacional, integrando os empregados da Caixa às campanhas nacionais dos bancários.
- Campanha Nacional Unificada dos Bancários (2003): primeira participação formal na mesa única, consolidando a conquista.
- Saúde Caixa (2004): criação e manutenção do plano de saúde próprio dos empregados, fruto de negociações contínuas de assistência médica e de grupos de trabalho.
-  Plano de Cargos e Salários - PCS (2008): fruto da luta na greve de 2007, acabou com a desigualdade na progressão de carreira dos planos anteriores e implantou a tabela única de salários com promoção por mérito.
- PLR Social (2010): participação nos lucros diferenciada para reconhecer o papel social do banco público.
- Incorporação de Gratificação (2023):  retorno de regras para a incorporação de gratificação de função após 10 anos de exercício do cargo de confiança.
- Fim da função minuto (2024): extinção de um modelo que gerava grande desgaste e precarização na remuneração por tarefas de chefia/caixa.

Para a secretária-geral do Sindicato do Pará e empregada da Caixa, Cristiane Aleixo, "falar do Saúde Caixa é falar diretamente da vida de quem trabalha no banco e precisa ter segurança para buscar atendimento quando necessário. É o nosso ganha-pão que está em jogo, é o nosso plano de saúde, é o nosso salário. Nós queremos uma proposta decente. Na greve, um colega protege o outro, e juntos seguimos em frente”.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Dourados e Região/MS, Janes Estigarribia, a marcação da nova mesa é resultado direto da força do movimento. “A Caixa só voltou a marcar uma mesa de negociação porque os trabalhadores estão mobilizados e porque a greve está forte em todo o país. Na nossa base, todas as agências continuam paralisadas. Isso demonstra a unidade e a disposição dos empregados de lutar por uma proposta que realmente atenda às suas reivindicações. Agora é fundamental manter a mobilização para que a Caixa avance de forma concreta nas negociações”, afirma Janes.

A greve permanece durante a retomada das negociações. Com a reunião marcada, os empregados cobram mudanças nos pontos que motivaram a rejeição da proposta, especialmente no Saúde Caixa, e o Sindicato mantém a orientação de fortalecer a participação nas unidades.

Trajetória recente das mobilizações e negociações

A greve dos empregados e empregadas da Caixa começou no dia 10 de setembro, como resultado de assembleias realizadas em todo o país, que também rejeitaram a proposta do banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

“Ao longo período de quase dois meses de processo negocial, tivemos alguns avanços nas negociações, como critérios de promoção por mérito sem metas, criação de um grupo de trabalho para discussão de PCS, PSI e remuneração variável, e em outras medidas relacionadas à diversidade, como o censo, equidade de gênero, comissões, combate à discriminação e acessibilidade para pessoas com deficiência. Por outro lado, ainda não alcançamos consenso em outros pontos importantes para os empregados, como no Saúde Caixa e nos programas de remuneração”, explica Luiza Hansen, coordenadora nacional da CEE Caixa.

Ainda no dia 10 de setembro, o banco e a CEE realizaram outra rodada de negociação, ocasião em que a Caixa apresentou novas propostas ao Saúde Caixa, mas que foram rejeitadas em assembleias realizadas em 11 de setembro, quando também a maioria dos funcionários votou pela manutenção das greves.

Paralelamente a esse movimento, a Contraf-CUT encaminhou à Caixa um ofício para a retomada das negociações, solicitando ainda a ultratividade, para garantir a continuidade dos direitos do ACT enquanto as tratativas estiverem em andamento.

Finalmente, nesta terça-feira (15), a Caixa respondeu positivamente ao pedido da ultratividade e à retomada da mesa de negociação, agendada para esta quarta-feira (16).

“O movimento sindical reitera a negociação coletiva como o instrumento central para preservar conquistas e promover avanços nas condições de trabalho”, destaca Luiza. “A retomada do diálogo representa, também, mais um passo fundamental para assegurar os direitos dos empregados da Caixa, mantidos sob a garantia da ultratividade. Esperamos que, nesta próxima rodada, aconteçam avanços que correspondam às mobilizações da categoria”, completa a coordenadora da CEE.

Fonte: Fetec-CUT/CN, com Seeb Brasília, Contraf-CUT, Seeb PA e Seeb Campo Grande

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