
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) realizou nesta quarta-feira 18 de março o Seminário Nacional – Estratégias para Enfrentamento ao Feminicídio na Sociedade e na Categoria Bancária, reunindo dirigentes sindicais de todo o país, especialistas e lideranças para debater caminhos concretos de enfrentamento à violência de gênero.
A Fetec-CUT/CN (Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte) teve presença efetiva no encontro, reafirmando seu compromisso com a defesa da vida das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero como pauta central do movimento sindical.
Violência cresce e exige resposta urgente
O seminário ocorre em um contexto alarmante. Dados apresentados pelo Dieese apontam um crescimento de cerca de 190% nos feminicídios na última década, com mais de 1.500 mulheres assassinadas apenas em 2025, o que representa uma média de quatro casos por dia.
A maioria dos crimes ocorre no ambiente doméstico, sendo o agressor, em cerca de 80% dos casos, companheiro ou ex-companheiro. A Pesquisa Nacional de Violência contra as Mulheres, realizada pelo DataSenado em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, reforça esse cenário:
▪ 3,7 milhões de mulheres sofreram violência no último ano.
▪ 79% das brasileiras avaliam que a violência aumentou.
▪ 70% consideram o Brasil muito machista.
▪ 46% afirmam que as mulheres não são tratadas com respeito.
Violência também impacta o mundo do trabalho
Os debates também evidenciaram que a violência contra a mulher não se restringe ao ambiente doméstico. Segundo os dados apresentados no seminário, 46% das mulheres relatam impacto da violência na vida profissional. Há registros de agressões durante o trabalho e casos de assédio e violência seguem presentes nos ambientes laborais.
Esse cenário reforça a necessidade de tratar o tema como uma questão também trabalhista, exigindo respostas das empresas e da organização sindical.
Outro ponto destacado foi a relação entre violência de gênero e desigualdades estruturais. Dados indicaram que 60,7% das vítimas de feminicídio são mulheres negras, evidenciando o impacto do racismo e da desigualdade social.
Movimento sindical é ator fundamental
O seminário reafirmou o papel do movimento sindical como ator fundamental no enfrentamento à violência contra a mulher. Mais do que promover debates, o desafio colocado foi avançar na construção de políticas concretas que garantam proteção, dignidade e autonomia às trabalhadoras.
Representando a Fetec-CUT/CN, a secretária da Mulher, Elis Regina, destacou que a categoria bancária já conquistou avanços importantes: “A nossa categoria já conseguiu incluir na Convenção Coletiva cláusulas que nenhuma outra categoria possui para casos de violência doméstica, como a possibilidade de mudança de local de trabalho, acesso a empréstimo, alternância de horário de entrada e saída e a mudança de regime entre trabalho presencial e teletrabalho. Isso mostra a força da nossa organização coletiva. Mas nós sabemos que ainda não é suficiente.”
Para Elis Regina, “precisamos avançar para garantir que essas medidas venham acompanhadas de mais proteção, com licença para vítimas de violência, mudança de local de trabalho sem prejuízo, estabilidade. O nosso desafio é transformar esses instrumentos em garantia concreta de segurança para as mulheres trabalhadoras.
‘Desigualdade e violência caminham juntas’
“Quando a gente olha para os dados, fica evidente que desigualdade e violência caminham juntas. Não é possível falar de enfrentamento ao feminicídio sem falar de racismo e de desigualdade social’, acrescenta a secretária da Mulher da Fetec-CUT/CN. “O fato de que mais de 60% das vítimas de feminicídio são mulheres negras escancara que essa violência tem cor, tem classe e tem endereço.”
Elis Regina conclui: “O enfrentamento à violência contra a mulher precisa se traduzir em políticas reais, dentro dos locais de trabalho, na negociação coletiva e na organização da nossa base. E ela só será enfrentada com organização coletiva, compromisso político e coragem para avançar na garantia de direitos e na proteção das mulheres trabalhadoras”.
‘Não podemos permitir que a violência aumente ainda mais’
Salete Gomes, diretora de Mulheres do Sindicato do Pará, também participou do encontro em São Paulo, na sede da Contraf-CUT. “O seminário foi bem marcante, oportuno e necessário, tanto para as companheiras que estão na caminhada há mais tempo tanto para as que estão estrando agora na discussão pela igualdade de oportunidades na categoria, pelo enfrentamento à violência de gênero e contra o feminicídio”, diz ela.
Salete salientou também a importância da participação no seminário da representante do Ministério das Mulheres, que falou sobre o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, instituído em fevereiro de 2026 e que busca unir o Executivo, o Legislativo e o Judiciário e todas as esferas de governo na luta para reduzir os feminicídios no Brasil, agilizar medidas protetivas e fortalecer a rede de proteção, com foco em grupos vulneráveis.
“O Pacto é importante principalmente porque chama os homens para estarem do nosso lado nessa luta ao enfrentamento à violência contra as mulheres, que não é uma luta só das mulheres, é da sociedade como um todo”, concluiu Salete Gomes.
Também participante do seminário, a diretora do Sindicato de Brasília Gleide. Oliveira elogiou o encontro. “Não podemos aceitar que os números estatísticos da violência contra as mulheres aumentem ainda mais. É de extrema urgência o fim de tanta violência e essa luta deve ser realizada por todos nós. Queremos dar um basta ao feminicídio em nossa sociedade e construir um futuro livre de violência contra as mulheres. Um futuro em que o respeito seja a base de todas as relações, fortalecendo uma sociedade mais justa, igualitária e verdadeiramente livre de violência.”
Fonte: Fetec-CUT/CN


