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Equidade no ramo financeiro: Caixa e Banco do Brasil recebem selo e ampliam debate sobre inclusão racial

26 de Maio de 2026 às 22:39


A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estão entre as instituições certificadas na 7ª edição do Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça, iniciativa do Ministério das Mulheres que reconhece empresas e órgãos comprometidos com a promoção da igualdade de gênero e raça no ambiente de trabalho.

O programa é desenvolvido em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, Ministério do Trabalho e Emprego, ONU Mulheres e Organização Internacional do Trabalho (OIT). Busca estimular mudanças estruturais nas políticas de gestão das instituições, incentivando práticas voltadas à inclusão, diversidade, enfrentamento às discriminações e ampliação da participação de mulheres nos espaços de liderança.

A cerimônia de entrega ocorreu nesta segunda-feira 25, em Brasília, reunindo representantes de empresas públicas e privadas, movimentos sociais, entidades e integrantes de comitês de diversidade. Pela Caixa, a certificação foi recebida pela vice-presidenta de Corporativo (Vicor), representando a instituição no evento.

Elis Regina Camelo, secretária da Mulher da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) e representante da Contrraf-CUT na Comissão de Diversidade da Caixa, destacou a importância do reconhecimento institucional e reforçou que a equidade precisa ultrapassar o campo simbólico.

“O selo tem um valor institucional importante, mas a verdadeira equidade precisa ser percebida na prática, nas oportunidades, no respeito e no combate diário a toda forma de discriminação dentro do ambiente de trabalho”, afirmou Elis.

Integrante da Comissão de Diversidade (no eixo Raça e Cor) por Brasília e atuante no coletivo Caixa Preta, composto por trabalhadores negros da instituição, a consultora matriz Arlete Pinheiro destacou a relevância do momento atual para a agenda institucional.

“Se considerarmos o período extremamente adverso que atravessamos, iniciado com o golpe de 2016 seguido pelos anos de ataques promovidos pelo bolsonarismo, a retomada das políticas de gênero e raça é promissora. A pauta racial ainda caminha de forma incipiente, mas o cenário é de avanço, desde que a base continue atenta e cobrando”, afirmou Arlete.

Desafios continuam

Apesar dos avanços registrados no setor financeiro, os desafios relacionados à igualdade de gênero e raça ainda permanecem. Dados recentes do Dieese mostram que mulheres já representam cerca de metade do quadro funcional dos maiores bancos do país. No entanto, a presença feminina diminui significativamente nos cargos de liderança e nos espaços de decisão.

Quando o recorte racial é analisado, as desigualdades tornam-se ainda mais evidentes. Mulheres negras seguem entre os grupos mais sub-representados nas funções de chefia, governança e gestão estratégica das instituições financeiras, enfrentando obstáculos relacionados tanto ao racismo quanto ao sexismo estrutural.

Nesse contexto, a presença de bancos públicos como Caixa e Banco do Brasil entre as instituições certificadas reforça a importância de ampliar políticas permanentes de diversidade, inclusão e igualdade de oportunidades dentro do sistema financeiro.

Análises do Dieese apontam que discutir apenas paridade de gênero, sem considerar o recorte racial, produz uma inclusão parcial, mantendo mulheres negras afastadas dos mesmos espaços de ascensão profissional e poder institucional.

O Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça busca justamente incentivar ambientes corporativos mais democráticos, representativos e comprometidos com a redução das desigualdades históricas presentes no mundo do trabalho.

Fonte: Fetec-CUT/CN

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