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SEEB PARÁ

Dieese e centrais sindicais debatem redução da jornada e fim da escala 6×1 em atividade no Centro de Formação Sindical em Belém

14 de Maio de 2026 às 17:48


O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com as centrais sindicais, realizou na manhã desta sexta-feira (15), em Belém, uma atividade que integrou a Jornada Nacional de Debates do DIEESE, com o tema “Jornada Nacional de Debates: disputar a renda, reduzir a jornada – o trabalho no centro do desenvolvimento”. A programação teve início na última quinta-feira (7), com seminários e mobilizações em cidades de todas as regiões do país, e segue até o dia 22 de maio.

A atividade foi realizada no Centro de Formação Sindical do Sindicato, localizado na travessa Padre Prudêncio. O encontro dialogou com temas centrais definidos na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT), realizada no dia 14 de abril, em Brasília, e debateu a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A discussão colocou o trabalho, a distribuição da renda, a saúde e a qualidade de vida da classe trabalhadora no centro do debate sobre desenvolvimento.

Estiveram presentes os dirigentes do Sindicato e a participação reforçou o compromisso da entidade com a mobilização em defesa de melhores condições de trabalho, mais qualidade de vida e valorização da classe trabalhadora, independentemente da categoria.

“É muito importante realizar esse debate neste espaço, que foi pensado para receber as organizações sindicais e fortalecer as alianças da classe trabalhadora. Também é fundamental contar com o DIEESE do Pará, uma entidade que recentemente teve reconhecido o título de utilidade pública e que tem papel estratégico na produção de dados e análises para subsidiar a luta sindical. Para a categoria bancária, esse debate tem relação direta com a defesa da jornada de trabalho, da saúde, da qualidade de vida e da valorização de quem produz a riqueza.” , destacou Gilmar Santos, diretor do Sindicato dos Bancários do Pará e integrante da direção sindical do DIEESE do Pará. 

Durante a apresentação, o DIEESE destacou que a escala 6×1 ainda atinge uma parcela expressiva da classe trabalhadora brasileira. Segundo os dados apresentados, cerca de 14,8 milhões de vínculos seguem nesse modelo, o equivalente a 33,2% do total. A incidência é maior em setores como comércio, serviços de alimentação, serviços de alojamento e transporte aéreo, atividades marcadas, em geral, por salários mais baixos, maior rotatividade e forte intensidade do trabalho. Além disso, a escala 6×1 e as jornadas acima de 40 horas reduzem o tempo de descanso, convivência familiar, estudo e qualificação profissional, atingindo especialmente jovens, mulheres e trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade.

O DIEESE também chamou atenção para os impactos na saúde. De acordo com os dados apresentados, trabalhadores com jornada superior a 40 horas registram maior incidência de afastamentos por acidente ou doença em comparação aos que cumprem jornadas entre 37 e 40 horas semanais. Para o DIEESE, o debate sobre a redução da jornada é, portanto, uma disputa por renda, saúde, tempo livre e melhores condições de vida para a classe trabalhadora.

 “A escala 6×1 não pode ser tratada apenas como uma forma de organização do trabalho. Ela tem impacto direto na vida das pessoas, porque reduz o tempo de descanso, dificulta o convívio familiar, limita o acesso ao estudo e à qualificação e aumenta os riscos de adoecimento. Os dados mostram que trabalhar mais horas não significa ganhar melhor. Por isso, reduzir a jornada sem reduzir salários é uma forma concreta de distribuir renda, gerar mais empregos e garantir mais qualidade de vida para quem vive do trabalho”, destacou Everson Costa, Supervisor Técnico do DIEESE.

O debate também deu ênfase à tramitação do PL 1838/2026, que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, o fim da escala 6×1 com dois dias consecutivos de descanso semanal remunerado, sem redução salarial, e a negociação coletiva da distribuição da escala.

Para o Sindicato dos Bancários do Pará, a luta pela redução da jornada, sem reduzir salários, significa enfrentar desigualdades históricas, ampliar oportunidades de educação e qualificação, reduzir adoecimentos e acidentes e construir um modelo de desenvolvimento centrado no trabalho e na valorização de quem produz a riqueza do país.

Fonte: Bancários PA

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