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SINTRAF AP

Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher: reduzir a jornada também é cuidar da saúde

27 de Maio de 2026 às 12:23


No dia 28 de maio de 1987 foi criado o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher. A data chama atenção para os direitos ao acesso integral à saúde. O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Amapá (SINTRAF-AP) reforça a necessidade do cuidado constante com a saúde física e mental das mulheres, mas levanta um questionamento sobre as cargas horárias excessivas: será que as mulheres têm tempo para cuidar da própria saúde de forma adequada?

Atualmente, os bancários e bancárias trabalham na jornada 5x2, mas a categoria está entre as que possuem os maiores índices de problemas mentais adquiridos no trabalho, reflexo das altas metas e cobranças no ambiente laboral. No Brasil, grande parte das trabalhadoras atua na jornada 6x1, tendo apenas um dia para descanso.

Será que a jornada fica apenas no ambiente laboral?

O debate sobre a escala 6x1 vem sendo amplamente discutido, e os movimentos sindicais apoiam a mudança desse modelo de trabalho. Quando olhamos para as mulheres, entendemos que existe uma dupla jornada. Para muitas delas, o fim do expediente não é sinal de descanso, mas a mudança de turno para um trabalho constante: o cuidado com os filhos, a família e as demandas do lar.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua 2022, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprovam essa afirmação. Entre o tempo destinado aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas, as mulheres lideram com 21,3 horas semanais dedicadas a essas funções, enquanto os homens utilizam 11,7 horas. Em um mês, essa diferença ultrapassa 38 horas extras realizadas pelas brasileiras.

A diretora de Mulheres, Samila Moraes, alerta sobre a realidade de inúmeras mulheres brasileiras e destaca, “para elas, o peso é ainda maior para além da jornada profissional. No Brasil, milhões de mulheres são chefes de família, sustentando seus lares financeira e emocionalmente. Mas quem cuida de quem cuida? Por isso, o fim da escala 6x1 é uma pauta urgente. Reduzir a jornada não é apenas uma questão trabalhista: é uma medida de saúde pública, valorização das mulheres e respeito à dignidade humana.” 

O Ministério da Saúde ressalta a importância do cuidado com a saúde da mulher, com ações de prevenção, promoção da saúde, tratamento e recuperação, sempre garantindo acesso e qualidade nos serviços públicos. Não podemos colocar todas as mulheres dentro de uma única realidade; é preciso ter um olhar crítico para necessidades específicas, respeitando suas profissões e diversidade.

Mas o trabalho doméstico deixa margem para esse autocuidado? As mulheres, principalmente as chefes de família, sofrem com os impactos da rotina intensa. O formato atual afeta diretamente a saúde física e mental, provocando cansaço extremo, ansiedade, estresse e adoecimentos.

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Os bancários conquistaram o fim da jornada de trabalho aos sábados em 1967, após muita luta e reivindicação. Conquistar o sistema 5x2 para as demais categorias não é apenas uma melhoria nas condições de trabalho, mas também o enfrentamento de uma violência estrutural de exploração trabalhista, que impacta diretamente a vida e saúde das mulheres.

A secretária-geral do SINTRAF-AP, Bruna Athayde, reforça o compromisso do sindicato com a defesa de ambientes de trabalho mais saudáveis e destaca que a entidade seguirá cobrando melhores condições de vida para todos.

“A luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 também é uma luta pela saúde das mulheres. Ter mais tempo para descansar, praticar atividades físicas, realizar exames preventivos, cuidar da saúde mental e conviver com a família é uma questão de qualidade de vida e dignidade. Cuidar da saúde das mulheres também significa garantir tempo, oportunidades e condições para que esse cuidado seja efetivamente possível”, destacou Bruna.

Redação Sintraf/AP

Texto: Giovane Brito

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