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TELETRABALHO

Criar estações de teletrabalho nas cidades para os trabalhadores de serviços públicos e estatais

6 de Julho de 2026 às 18:10


Jacy Afonso

O mundo do trabalho está mudando rapidamente e o teletrabalho já faz parte dessa nova realidade. Seus impactos alcançam a vida das pessoas, das famílias, da cidade e da prestação dos serviços públicos. Essa será uma das grandes discussões dos próximos anos e, como pré-candidato a deputado distrital, vou me dedicar à construção de uma política pública de teletrabalho que concilie eficiência, valorização dos servidores e qualidade no atendimento à população.

Assim como a Revolução Industrial levou o trabalho do ambiente doméstico para as fábricas, a transformação digital faz o movimento inverso, trazendo parte da atividade profissional para dentro das casas. Essa mudança altera profundamente a organização do trabalho, a dinâmica familiar, a mobilidade urbana e o funcionamento da administração pública.

Modernizar o Estado não pode significar retirar direitos.

O teletrabalho trouxe ganhos importantes para muitos trabalhadores, como a redução do tempo de deslocamento, maior flexibilidade e, em diversas situações, melhor qualidade de vida. Ao mesmo tempo, revelou desafios que precisam ser enfrentados pelo poder público para evitar retrocessos nas relações de trabalho.

Entre esses desafios estão o risco de jornadas excessivas, a dificuldade de separar a vida profissional da vida pessoal, o aumento da cobrança por produtividade, os impactos sobre a saúde mental e a transferência de custos com energia elétrica, internet, mobiliário, equipamentos e infraestrutura para o trabalhador.

A substituição da jornada presencial por modelos baseados em metas e entregas pode elevar o nível de cobrança e gerar uma sensação permanente de disponibilidade, fazendo com que o trabalho ultrapasse os limites do expediente e invada momentos fundamentais da convivência familiar, do descanso e do lazer.

Vivemos uma revolução tecnológica impulsionada pela inteligência artificial, pelas videoconferências e pelos sistemas digitais de gestão. Esse processo é irreversível e deve ser aproveitado para melhorar os serviços públicos. Mas inovação não pode significar precarização. É papel do Estado proteger quem trabalha e garantir que os avanços tecnológicos estejam a serviço das pessoas.

Saúde mental não é um tema secundário. É uma política pública.

O ambiente de trabalho também é um espaço de convivência humana, troca de experiências e construção de vínculos. O isolamento prolongado pode produzir efeitos negativos, tornando ainda mais importante que o teletrabalho seja organizado de forma equilibrada, respeitando as necessidades individuais e coletivas.

Também precisamos garantir o direito à desconexão. O trabalhador não pode permanecer disponível 24 horas por dia. A tecnologia deve ampliar a qualidade de vida, e não transformar a casa em uma extensão permanente do ambiente de trabalho.

A igualdade de gênero precisa fazer parte das políticas de teletrabalho.

Os impactos do trabalho remoto recaem de forma ainda mais intensa sobre as mulheres, que ainda assumem parcela significativa das responsabilidades domésticas e de cuidado. O teletrabalho muitas vezes amplia essa dupla jornada, exigindo políticas públicas sensíveis às desigualdades de gênero e comprometidas com a promoção da igualdade de oportunidades.

Construir uma política moderna de teletrabalho também significa reconhecer essas diferenças e avaliar permanentemente seus impactos sobre mulheres, pessoas com deficiência e outros grupos que podem ser afetados de maneira desigual.

O cidadão precisa continuar no centro do serviço público.

Nenhuma política de teletrabalho pode significar redução do acesso da população aos serviços públicos. Nem todos os cidadãos possuem acesso à internet de qualidade ou facilidade para utilizar ferramentas digitais. O desafio é utilizar a tecnologia para ampliar a eficiência da administração sem perder a qualidade do atendimento presencial sempre que ele for necessário.

O sucesso do teletrabalho deve ser medido pela qualidade do serviço prestado à população e não apenas por indicadores internos de produtividade.

O teletrabalho também pode contribuir para uma cidade mais sustentável.

A redução dos deslocamentos contribui para diminuir congestionamentos, reduzir emissões de poluentes e melhorar a qualidade de vida de toda a população. Ao mesmo tempo, é preciso compreender seus impactos econômicos sobre o comércio local e buscar soluções que fortaleçam o desenvolvimento das diferentes regiões administrativas do Distrito Federal.

Defendo que esse debate seja construído com diálogo entre servidores, sindicatos, gestores públicos, universidades, especialistas e a sociedade. O teletrabalho não deve ser tratado como privilégio nem como solução automática. Deve ser uma ferramenta de modernização humanizada do Estado, capaz de aumentar a eficiência dos serviços públicos sem abrir mão da valorização das pessoas.

Nossos compromissos

▪ Construir soluções que façam do Distrito Federal uma referência em gestão pública moderna, eficiente e comprometida com as pessoas.

▪ Implementar estações de teletrabalho compartilhado nas cidades para os servidores federais e do GDF e trabalhadores de empresas públicas e estatais. Isso reduziria os deslocamentos e o tempo perdido no trânsito, com impactos positivos na mobilidade urbana, sem impor o isolamento dos trabalhadores no ambiente doméstico.

▪ Defender um Marco Distrital do Teletrabalho, com garantia do direito à desconexão, proteção da saúde mental, critérios transparentes de avaliação, ajuda de custo quando necessária e fornecimento adequado de equipamentos.

▪ Fiscalizar permanentemente os resultados do teletrabalho no GDF, exigindo transparência sobre produtividade, qualidade do atendimento e satisfação da população.

▪ Defender políticas permanentes de saúde mental e prevenção do adoecimento relacionado ao trabalho.

▪ Incorporar a perspectiva de gênero na formulação e avaliação das políticas de teletrabalho, buscando igualdade de oportunidades e enfrentando desigualdades que recaem principalmente sobre as mulheres.

▪ Integrar o teletrabalho às políticas de mobilidade urbana, sustentabilidade e desenvolvimento regional do Distrito Federal.

Conto com você nessa construção. Vamos juntos fazer esse debate avançar. Na luta coletiva, sempre!

Jacy Afonso é diretor da Fetec-CUT/CN, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, ex-presidente da CUT/DF, ex-presidente do PT/DF e pré-candidato a deputado distrital.

(Publicado originalmente no portal www.brasilforadacaverna.com.br)

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