
Humor, irreverência e protesto marcaram o sétimo dia de greve das empregadas e dos empregados da Caixa em Brasília. Nesta quarta-feira (16), o Sindicato realizou, em frente ao Matriz II, um grande ato contra a “cachorrada” da direção do banco, com direito a cachorro-quente servido aos manifestantes e uma encenação protagonizada pelo presidente do Sindicato, Rodrigo Britto, e pelo dirigente da Fetec-CUT/CN Francinaldo Araújo, que, vestidos de cachorro, satirizaram o tratamento dado pela Caixa aos trabalhadores e a postura da empresa nas negociações.
A manifestação também reforçou a cobrança por respeito aos trabalhadores e pela preservação do Saúde Caixa na mesa de negociação que será retomada nesta quarta. Inicialmente marcada para as 10h e transferida para as 14h, a nova rodada de negociação ocorre sob pressão da mobilização nacional dos empregados. No ato, a cobrança foi por uma proposta que preserve os direitos históricos e a sustentabilidade do plano, sem ampliar o comprometimento da renda das famílias.
Elis Regina Camelo, secretária-geral do Sindicato, destacou que a greve levou a empresa a rever a decisão de recorrer ao dissídio e retomar o diálogo. Para ela, essa força precisa ser mantida para assegurar avanços, com o Saúde Caixa no centro da negociação. “Não aceitaremos de jeito nenhum uma proposta que traga perda de direitos e que queira apartar a negociação do Saúde Caixa neste momento”, afirmou.
Em frente à área de gestão de pessoas, os trabalhadores também questionaram a contradição entre o adoecimento na empresa e a tentativa de tornar o plano mais caro para quem precisa de assistência. Maria Gaia, dirigente da Fetec-CUT/CN, apontou a sobrecarga, o assédio e a falta de pessoal como fatores que prejudicam a saúde dos empregados e pressionam os custos do Saúde Caixa. Na avaliação da dirigente, enfrentar esse quadro exige mudanças nas condições de trabalho e responsabilidade da gestão, em vez de atribuir aos usuários a culpa pelas despesas do plano.
Essa responsabilidade também foi lembrada por Ataliba Dias, diretor do Sindicato, ao recuperar a atuação dos empregados durante a pandemia. Na linha de frente do atendimento à população à época, os trabalhadores asseguraram o cumprimento da missão social da Caixa em um período de risco, com perdas de colegas inclusive. Para Ataliba, reconhecer esse compromisso exige que a empresa cuide de quem sustentou seus serviços quando a população mais precisava.
A defesa do plano como parte dessa relação de trabalho foi reforçada por Josibel Rocha, diretor do Sindicato. Ao criticar o peso crescente das despesas sobre os salários, ele lembrou que o Saúde Caixa integra as condições com as quais os empregados ingressaram no banco. “Nós queremos um plano que seja benefício, como no contrato de trabalho que assinamos quando entramos na Caixa”, afirmou.
A disposição para sustentar essas reivindicações apareceu também no relato sobre a participação de gerentes e trabalhadores da tecnologia na paralisação. Segundo Ataliba, a mobilização alcançou o prédio da 512 Norte no período noturno de terça-feira (15).
O aposentado da Caixa Jair Pedro reforçou a importância de manter essa unidade entre os diferentes segmentos da empresa, independentemente das posições políticas de cada empregado.
O Sindicato mantém a orientação de participação nos comitês de esclarecimento e nos atos enquanto a negociação prossegue. Ataliba afirmou que as ações poderão ser ampliadas se a Caixa não apresentar uma proposta que responda às necessidades da categoria.
Da Redação


