
Bancárias e bancários de todo o país realizaram nesta quinta-feira 20 de agosto um dia inteiro de paralisação nacional em resposta ao desrespeito dos banqueiros às reivindicações por aumento real e melhores condições de trabalho na Campanha Nacional 2026. Todas as bases da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) participaram ativamente da paralisação. Veja galeria de fotos ao final do texto (a imagem ao lado é de Campo Grande).
Saiba como foi a paralisação nas bases da Federação:
> Paralisação nacional mostra força dos bancários e aumenta pressão sobre os bancos
> 20 de agosto de 2026, o dia em que a categoria do Pará parou
> Paralisação dos bancários mostra força da categoria em Mato Grosso
> Bancários de Campo Grande e região mostram força em paralisação de 24 horas
> Bancários de Rondônia mostram força e união em Dia Nacional de Paralisação
> Bancários do Acre aderem ao Dia Nacional de Mobilização e Paralisação por valorização da categoria
> Dia Nacional de Paralisação mobiliza bancários e fecha agências em Dourados e Região
A categoria atendeu à convocação do Comando Nacional e aderiu fortemente ao movimento, em protesto contra o fechamento de agências, as demissões e a falta de uma proposta digna para as reivindicações econômicas e sociais, além da cobrança por melhores condições de saúde e de trabalho. Além disso, os bancos sinalizam com a retirada de direitos e ameaçam levar a campanha 2026 para o TST (Tribunal Superior do Trabalho) em vez de uma solução negociada, cujo histórico mostra ser sempre prejudicial para os trabalhadores.
A decisão das bancárias e dos bancários de realizarem uma paralisação nacional foi aprovada em assembleias realizadas na noite da segunda-feira 17 por todos os sindicatos que integram o Comando Nacional.
“A paralisação foi um sucesso e mostrou a força da categoria em Brasília e na região Centro-Norte. O diálogo dos nossos dirigentes com os bancários foi fundamental para ampliar a adesão e fortalecer o movimento. Seguiremos firmes, mobilizados e preparados para intensificar a luta, porque os banqueiros precisam apresentar uma proposta decente, com aumento real, melhores condições de trabalho, saúde, segurança e respeito aos direitos da categoria”, frisou o presidente do Sindicato e da Fetec-CUT/CN, Rodrigo Britto.
Confira no vídeo a avaliação de Rodrigo Britto.
A presidenta da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, faz a mesma avaliação: “A paralisação foi um sucesso, com adesão em todo o país, reafirmando a tradição de unidade nacional das bancárias e dos bancários. O recado está dado de que a categoria quer respeito e valorização”.
Neste ano, os trabalhadores do setor realizam a Campanha Nacional Unificada, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). “Em oito rodadas de negociação com a Fenaban, iniciadas no começo de julho, não obtivemos nem uma proposta concreta às nossas reivindicações. Essa atitude dos banqueiros é que levou às assembleias onde aprovamos, com 90%, o dia nacional de paralisação”, explica Juvandia Moreira, que também é coordenadora do Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários.
A dirigente destaca que, nos últimos anos, o setor bancário vem passando por um processo rápido de reestruturação com resultados agressivos sobre os trabalhadores.
“Fizemos uma consulta nacional com cerca de 55 mil bancários de todo o país e 40% afirmaram que tomaram, no último ano, remédios controlados, como antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes. O nosso levantamento corroborou um outro dado que nós sempre apresentamos para a Fenaban, nas mesas de negociação, de que os bancários compõem boa parte do índice de afastamentos pelo INSS por doenças mentais ligadas ao trabalho - em 2024, que é o dado mais recente que conseguimos obter, a nossa categoria representou 25% do total. Esse é o resultado do modelo de gestão adoecedora empregado hoje no sistema financeiro”, completa Juvandia.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Dourados e Região/MS, Janes Estigarribia, a forte adesão demonstra a insatisfação da categoria e a disposição dos bancários para lutar por seus direitos.
“A paralisação de hoje é um recado claro aos bancos: os bancários não aceitam mais a enrolação nas negociações. Enquanto os bancos apresentam lucros bilionários, fecham agências, reduzem postos de trabalho e pressionam cada vez mais os trabalhadores. Estamos mobilizados para exigir respeito, valorização, empregos e uma proposta que reconheça a importância dos bancários para o funcionamento do sistema financeiro”, afirmou Janes.
Forte adesão no BB e na Caixa
No Banco do Brasil, onde também não houve avanços significativos na mesa específica, a adesão à paralisação foi expressiva. Em Brasília, na sede do BB o comitê de esclarecimento chegou cedo para conversar com os empregados que começavam a chegar, por volta das 6h30. O diálogo contribuiu para ampliar a participação dos trabalhadores no movimento.
Para o diretor da Fetec e ex-presidente do Sindicato dos Bancários, Jacy Afonso, funcionário do Banco do Brasil, a greve “é um instrumento muito importante da classe trabalhadora para conquistar suas justas reivindicações”.
O secretário de Assuntos Jurídicos da Fetec-CUT/CN, Wescly Queiroz, classificou o movimento como “extremamente importante e necessário” e afirmou que “somente assim conquistaremos nossos direitos”. Para o dirigente, “a Fenaban precisa entender a disposição de luta da categoria”.
Já o diretor da Contraf-CUT Jefão Meira destacou a contradição entre os lucros do sistema financeiro e as condições enfrentadas pelos trabalhadores. “Os banqueiros nunca têm prejuízo, conseguem lucros bilionários devido ao trabalho dos empregados e aos altos juros para os clientes”, afirmou.
Na Caixa, também não houve avanços significativos na mesa específica. A paralisação nacional de 24 horas mobilizou empregadas e empregados dos prédios e das unidades do banco. Na Matriz II, em Brasília, a mobilização começou por volta das 6h, com a organização dos pontos de mobilização nos acessos ao edifício e à garagem, onde funciona parte da área de tecnologia da Caixa. A adesão foi expressiva, e o diálogo com os empregados que chegavam ao local contribuiu para ampliar a participação ao longo da manhã.
Direção da Caixa aciona polícia na Matriz I
Na Matriz I, a mobilização encontrou uma postura diferente por parte da direção da Caixa. A polícia foi acionada para intervir no comitê de esclarecimento e permitir a entrada de um grupo reduzido de empregados que decidiu trabalhar durante a paralisação.
A intervenção rompeu o bloqueio organizado pelos dirigentes sindicais, mas não encerrou a atividade. Mesmo após a entrada dos policiais, a presença de empregados no edifício permaneceu reduzida e a mobilização continuou no local.
Antonio Abdan, representante da Fetec na CEE Caixa, criticou a decisão da direção da Caixa de recorrer à polícia contra uma manifestação pacífica em defesa dos próprios trabalhadores.
“Não é possível chamar a polícia contra quem está aqui lutando pelos empregados, pelo Saúde Caixa e pela manutenção dos direitos. Um grupo fez questão de entrar, mas havia muito pouca gente no prédio. O nosso piquete foi rompido, mas seguimos na luta”, afirmou.
Fonte: Fetec-CUT/CN, com Contraf-CUT e Seeb Brasília


