
A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) voltou a se reunir nesta quarta-feira (5) com o Banco do Brasil, em mais uma rodada de negociações da Campanha Nacional por aumento na remuneração e melhores condições de trabalho.
Os trabalhadores iniciaram a rodada reforçando as principais reivindicações:
- Cassi: que o banco apresente um plano de custeio, com o aumento da responsabilidade da empresa na sustentabilidade da caixa de assistência.
- Metas: revisão da gestão por metas, em vista do aumento de reclamações, em todo o país, de trabalhadores com dificuldades de alcaçarem as metas impostas, a ponto de sofrerem prejuízos na remuneração (PLR).
- Isonomia: igualdade de acesso e atendimento à Cassi e Previ para os funcionários egressos (que ingressaram no banco em razão da incorporação de outras instituições).
- Previ: novas melhorias Tabela PIP, para contemplar mais trabalhadores com a valorização da previdência complementar.
- PCS/PCR: aperfeiçoamento do Programa de Cargos e Salários (também chamado de Programa de Carreira e Remuneração), com foco na revisão de critérios de progressão, valorização do mérito, reajuste de adicionais de função e atualização dos vencimentos do funcionalismo.
Poucos e sobrecarregados
Os dirigentes sindicais também reforçaram a reivindicação pela abertura de concursos públicos para suprir a falta de funcionários em várias localidades do país. "Filas de atendimento, colegas sobrecarregados de funções e metas, casos de agências fechadas por falta de funcionários para atender clientes. Todos esses foram pontos que colocamos na mesa e que o banco só irá solucionar com a contratação de novos bancários e bancárias por concursos públicos", cobrou a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes.
Os representantes dos trabalhadores registraram que as avaliações ruins de agências com déficit de funcionários acabam recaindo sobre os trabalhadores que, por sua vez, são penalizados financeiramente pelo não atingimento de metas. "Novamente incorremos, neste ponto, à questão de estresse e impactos negativos à saúde física e mental", completou a dirigente.
O movimento sindical criticou ainda a contratação, por parte do BB, de correspondentes bancários. Isso porque, além de uma forma de terceirização de serviços, a disponibilidade do acesso à carteira de clientes do BB aos correspondentes fragiliza a segurança de dados.
Defesa do BB como banco público
A CEBB também criticou o afastamento do BB de seu papel como banco público. "O Banco do Brasil tem aplicado os juros mais altos no crédito consignado público. Então, além de isso ferir o princípio do papel social do BB, como exigir dos funcionários que batam metas de venda de crédito, oferecendo os juros mais altos?", questionou Fernanda Lopes.
Devolutivas dos negociadores do BB
Cassi – O banco reconheceu a urgência sobre a questão financeira da caixa de assistência. Declarou que para se alcançar uma "solução definitiva e estruturante" precisará de mais tempo.
Egressos – Sobre a Cassi, não apresentaram avanços, reafirmando que ainda estão na fase de estudos de um modelo de custeio para fraquear o acesso de todos os egressos ao plano de saúde.
Em relação à previdência, também não apresentaram avanços, mas se comprometeram a retomar as mesas específicas, quando irão apresentar propostas de estudos que já desenvolveram para cobrir os egressos.
Metas – O banco se comprometeu a chamar uma mesa específica para apresentar um programa novo, chamado REVISA, onde as unidades teriam a oportunidade de pedir uma revisão, após o recebimento de indicadores.
Cláusulas econômicas e melhores condições de trabalho
Em seguida, os negociadores do BB fizeram uma apresentação na tentativa de provar que existe crescimento de carreira no banco, criticando, também, os pedidos de reajustes de verbas da minuta de reivindicações da categoria.
O movimento sindical rebateu. “A minuta de reivindicações é uma construção democrática e coletiva e que envolve funcionários do país inteiro. O anseio das bases é que o banco traga como respostas propostas de reajustes que valorizam a categoria", explicou Fernanda Lopes.
Os trabalhadores também exigiram que o banco revise o PCS e o piso. “Na composição do salário hoje, no BB, existe uma verba complementar de função que impede que a remuneração efetiva aumente. Então, conforme o funcionário avança na pontuação de mérito ou na carreira de antiguidade, a verba complementar é reduzida, não trazendo aumento real no salário. E esse formato, simplesmente, transformou o que deveria ser piso em teto”, pontuou o representante da Contraf-CUT na CEBB, Gustavo Tabatinga Jr.
"Reforçamos na mesa de negociação reivindicações de grande importância para os funcionários e funcionárias do Banco do Brasil. Defendemos a revisão do Plano de Cargos e Salários, melhorias nas condições de trabalho, o reforço do quadro de pessoal por meio da realização de concurso público e o debate sobre a verba egressa, que assegura 10% por ano das funções gratificadas e comissões às verbas de caráter pessoal. Esses são apenas alguns dos temas que seguimos cobrando nas negociações para que os trabalhadores e as trabalhadoras do Banco do Brasil em todo o país sejam efetivamente valorizados e respeitados pela direção da empresa", destacou o presidente do Sindicato e da Fetec-CUT/CN, Rodrigo Britto.
"A mobilização da categoria continuará sendo fundamental para fortalecer nossa pauta de reivindicações. O Sindicato seguirá presente nos locais de trabalho, dialogando com bancárias e bancários, esclarecendo o andamento das negociações e organizando a categoria para ampliar a pressão sobre o banco em defesa de avanços concretos nas mesas de negociação", acrescentou Rodrigo.
Próxima mesa
Os representantes dos trabalhadores e do BB voltarão a se reunir no dia 14 de agosto. "A data-base se aproxima, então a nossa expectativa é que o banco traga finalmente, no próximo encontro, propostas concretas às nossas reivindicações e que reflitam a responsabilidade da empresa para com a valorização dos funcionários e funcionárias", concluiu Fernanda Lopes.
Fonte: Contraf-CUT


