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VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

Bancários participam do Grito dos Excluídos e Excluídas nesta segunda 7 de setembro em Brasília

4 de Setembro de 2026 às 19:28


O Grito dos Excluídos e Excluídas realiza sua 32ª edição nesta segunda-feira 7 de setembro, em Brasília. Com o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”, a mobilização deste ano será orientada pelo lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Os bancários e bancárias da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN, principalmente os de Brasília, participarão da manifestação.

O Grito acontece em todo o país, no Dia da Independência, reunindo movimentos populares, sindicatos, pastorais, igrejas, entidades e grupos comprometidos com as lutas sociais. A mobilização propõe uma reflexão sobre a independência brasileira a partir das condições de vida do povo, do direito à participação política e da defesa de uma sociedade mais justa, solidária, plural e fraterna.

A CUT orienta suas estaduais, ramos e sindicatos a participar das mobilizações do Grito dos Excluídos e Excluídas e a se envolver na construção dos atos e atividades organizados nos estados e municípios. A Central também defende que suas entidades levem às ruas a luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

Para Milton Rezende, o Miltinho, secretário nacional de Mobilização da CUT, a participação das entidades sindicais deve reforçar as reivindicações já apresentadas pelo Grito e ampliar a pressão política pela redução da jornada. “Precisamos fazer das ruas e das redes espaços permanentes de pressão e diálogo com a sociedade, em defesa de mais tempo para viver, descansar, cuidar, conviver e promover a inclusão social”, afirma.

A orientação é que as direções das estaduais, ramos e sindicatos procurem as coordenações estaduais e locais do Grito, contribuam com a preparação das atividades de 7 de setembro e divulguem as mobilizações nas redes sociais. A CUT também solicita que as estaduais informem à Secretaria-Geral, à Secretaria de Mobilização e à Secretaria de Comunicação sobre as atividades previstas, para fortalecer a divulgação nacional.

Atos já estão confirmados

Atos confirmados

Aracaju (SE) — 7 de setembro, às 8h, na Praça da Bandeira.

Belém (PA) — 5 de setembro, no bairro da Terra Firme, com concentração no barracão do Boi Marronzinho.

Belo Horizonte (MG) — 7 de setembro, às 9h30, na Praça da Rodoviária.

Brasília (DF) — 7 de setembro, das 9h30 às 12h, na Praça Zumbi dos Palmares, no Conic, no Plano Piloto.

Cáceres (MT) — 7 de setembro, às 7h, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, no bairro DNER.

Cajamar (SP) — 7 de setembro, às 9h, no Parque São Roberto.

Campinas (SP) — 7 de setembro, às 10h, no Largo do Pará.

Crateús (CE) — 7 de setembro, a partir das 7h30, na Coluna da Hora.

Cuiabá (MT) — 7 de setembro, às 17h30, na Praça Ipiranga.

Curitiba (PR) — 7 de setembro, às 14h30, na Praça Tiradentes.

Dourados (MS) — 7 de setembro, em frente à Paróquia São José Operário, com caminhada durante o desfile na Avenida Marcelino Pires.

Fortaleza (CE) — 7 de setembro, às 8h, na Praça do Conjunto Tamandaré, no Jangurussu, com encerramento no Açude do Jangurussu.

João Pessoa (PB) — 7 de setembro, às 10h, na Lagoa do Parque Solon de Lucena, em frente à Zeny Doces.

Juazeiro do Norte (CE) — 7 de setembro, a partir das 8h, na antiga Praça da Prefeitura.

Lajeado (RS) — 7 de setembro, às 15h, na Ponte do Arroio Saraquá, no bairro Praia.

Maceió (AL) — 7 de setembro, a partir das 8h, na Praça Sinimbu, no Centro. Celebração ecumênica às 8h30 e saída da passeata às 9h30.

Manaus (AM) — 7 de setembro, das 8h às 17h, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Maringá (PR) — 7 de setembro, às 15h, na Praça da Catedral.

Matinhos (PR) — 7 de setembro, às 7h30, no Mercado do Peixe.

Mogi das Cruzes e Alto Tietê (SP) — 7 de setembro, às 9h, na Praça do Rosário.

Petrópolis (RJ) — 7 de setembro, às 9h, na Praça do Bosque.

Porto Alegre (RS) — 7 de setembro, às 9h30, em frente ao Instituto Federal do Rio Grande do Sul, no Centro.

Porto Grande (AP) — 7 de setembro, às 8h30, na orla do município, com a 1ª Rabetaça.

Porto Velho (RO) — 7 de setembro, a partir das 15h30, na Comunidade Rainha da Paz, no bairro Três Marias.

Rio de Janeiro (RJ) — 12 de setembro, das 9h às 12h, no Pré-Vestibular para Negros e Carentes da Rio Grande, em Jacarepaguá.

Rio Grande da Serra (SP) — 7 de setembro, às 8h30, na estação ferroviária.

Rondonópolis (MT) — 7 de setembro, das 8h às 11h, na Cúria Diocesana.

Santa Cruz do Sul (RS) — 7 de setembro, às 9h, em frente ao Banco do Brasil.

São João del-Rei (MG) — 7 de setembro, às 10h, no Teatro Municipal, no Centro Histórico.

São José dos Campos (SP) — 7 de setembro, às 8h, na Praça Afonso Pena.

São Paulo (SP) — 7 de setembro, a partir das 6h30, na Praça da Sé, com caminhada às 10h e missa na Catedral da Sé ao meio-dia.

Vitória (ES) — 7 de setembro, às 8h, na Praça Portal do Príncipe, em frente à Rodoviária, com caminhada até o Palácio Anchieta.

Vitória da Conquista (BA) — 7 de setembro, às 10h, no cruzamento da Rua Régis Pacheco com a Avenida Integração.

O Grito: símbolos

A escolha do lema é resultado de debates realizados ao longo do ano pela rede de articuladores e articuladoras do Grito, presente em todas as regiões do Brasil. Em 2026, foram promovidos três encontros nacionais on-line para a troca de experiências e o acompanhamento das articulações nos estados. Um novo encontro está previsto para 31 de outubro, com o objetivo de avaliar a edição deste ano e dar continuidade à preparação da mobilização seguinte.

O lema dialoga com a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a conjuntura política, social e econômica nacional e internacional e com as reivindicações históricas dos movimentos populares. A proposta é chamar atenção para os rostos e as realidades em que a vida está mais ameaçada: os conflitos por terra, a falta de moradia, a violência contra as mulheres, as guerras e as pressões sobre a soberania dos povos.

A referência às “Mulheres Vivas” dá visibilidade à violência que atinge mulheres em todo o país. O material de preparação do Grito aponta que mais de 1.500 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2025. A mobilização busca colocar essa realidade no centro do debate, ao lado das desigualdades de raça, renda e gênero que atingem de forma mais dura mulheres negras, periféricas, camponesas, indígenas e chefes de família. 

Origem do Grito

A proposta do Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1994, a partir da 2ª Semana Social Brasileira da CNBB, que teve como tema “Brasil, alternativas e protagonistas”. A iniciativa também foi inspirada pela Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema foi “A fraternidade e os excluídos”.

O primeiro Grito foi realizado em 7 de setembro de 1995, com o lema “A vida em primeiro lugar”. A escolha da data teve como objetivo fazer um contraponto ao Grito da Independência oficial e provocar uma reflexão sobre quem, de fato, tem acesso aos direitos e à riqueza produzida no país.

Para as organizações que constroem a mobilização, o 7 de setembro não deve ser apenas uma data de celebração. É também um momento de consciência política, reivindicação e luta. A proposta é superar um patriotismo passivo e fortalecer uma cidadania ativa, capaz de participar das decisões sobre os rumos do Brasil.

A partir de 1996, o Grito foi assumido pela CNBB e aprovado em Assembleia Geral como parte do Projeto Rumo ao Novo Milênio. Desde então, consolidou-se como um processo coletivo que ocorre antes, durante e depois dos atos de setembro.

Mais do que um evento anual, o Grito é construído nas comunidades, nos locais de trabalho, nas periferias, no campo e nas organizações populares. Seu caráter é ecumênico e sua atuação está ligada às lutas por direitos, dignidade e participação social.

Terra e moradia

A edição de 2026 coloca a terra e a moradia entre suas prioridades. No campo, a mobilização denuncia a violência contra povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponeses e trabalhadores rurais, além dos conflitos provocados pela disputa por terras e água.

Dados da Comissão Pastoral da Terra apontam que o Brasil registrou 1.593 conflitos no campo em 2025. Os conflitos por terra corresponderam a 75% das ocorrências. No mesmo ano, 26 pessoas foram assassinadas em situações relacionadas aos conflitos rurais, o dobro do número registrado em 2024.

Nas cidades, o Grito chama atenção para o déficit habitacional, o crescimento dos aluguéis e a expulsão de famílias de baixa renda das áreas mais estruturadas. Dados da Fundação João Pinheiro apontam um déficit de 5,97 milhões de domicílios no país, enquanto outros 27,6 milhões apresentam inadequações, como infraestrutura precária, excesso de moradores ou insegurança na posse da terra.

A defesa da moradia também é uma defesa do direito à cidade. Os movimentos questionam a especulação imobiliária e a transformação da habitação em mercadoria, que torna cada vez mais difícil para as famílias trabalhadoras viverem perto de serviços públicos, emprego, escola, saúde e transporte.

Paz e soberania

O Grito também relaciona a luta por direitos à defesa da paz e da soberania nacional. Para a mobilização, a soberania envolve o direito de o povo brasileiro decidir seus próprios caminhos econômicos, políticos e sociais, sem interferências externas ou submissão dos bens naturais aos interesses do mercado.

O debate inclui a proteção da democracia, da água, da terra, do petróleo e de outros recursos estratégicos do país. Também reafirma a defesa da autodeterminação dos povos, da integração latino-americana e da paz diante das tensões e guerras que atingem diferentes regiões do mundo.

A Coordenação Nacional do Grito reúne 21 organizações, entre movimentos populares, sindicatos, pastorais e entidades. Integram esse espaço, entre outras, a CUT, a CNTE, a Comissão Pastoral da Terra, o MST, o MAB, a Central dos Movimentos Populares, a Pastoral Operária Nacional e o Serviço Pastoral dos Migrantes.

Ao chegar à 32ª edição, o Grito dos Excluídos e Excluídas reafirma que independência, democracia e soberania só fazem sentido quando se traduzem em direitos concretos. No 7 de setembro, a mobilização volta às ruas para defender que a vida esteja, de fato, em primeiro lugar.

Fonte: CUT Brasil com informações da Fetec-CUT/CN

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