
Os bancários e as bancárias dos bancos privados da base de Brasília aprovaram, em assembleia, a proposta negociada com a Fenaban, que garante aumento real nos salários e nas demais verbas de natureza econômica. Foram 82,68% de votos favoráveis.
A assembleia ocorreu entre as 19h de quinta-feira (3) e as 19h desta sexta-feira (4). Antes do início da votação, o Sindicato realizou uma plenária híbrida no Setor Bancário Sul, com debates e esclarecimentos sobre a proposta.
Resultado de um processo negocial duro, a proposta aprovada foi construída após 13 rodadas de negociação, marcadas pela rejeição de oito propostas que impunham perdas e retrocessos à categoria.
O reajuste corresponderá ao INPC integral acrescido de 0,60% e será aplicado aos salários e às demais verbas econômicas, incluindo os vales-alimentação e refeição, o auxílio-creche/babá e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O índice total de reajuste de 2026 somente poderá ser calculado após a divulgação do INPC referente à data-base de 1º de setembro, prevista para 11 de setembro.
Avanços nas cláusulas sociais
Além de impedir a retirada de direitos, a negociação resultou na inclusão de medidas relacionadas à saúde mental, ao combate ao assédio, ao monitoramento digital e ao direito à desconexão.
Na área da saúde mental, a proposta assegura a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais previsto na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A medida fortalece a atuação da representação dos trabalhadores no acompanhamento das ações adotadas pelos bancos para identificar e combater fatores de risco associados ao adoecimento mental.
O canal de combate ao assédio moral e sexual, conquistado na Campanha Nacional de 2024, também passará a receber denúncias de atos praticados por clientes contra funcionários.
Em relação ao monitoramento digital, foram negociadas regras de transparência e limites para o uso de ferramentas de vigilância no ambiente de trabalho, além do direito dos bancários de receber informações sobre os dados coletados. O objetivo é impedir que essas tecnologias sejam utilizadas sem critérios ou em prejuízo dos trabalhadores.
A proposta também assegura o direito à desconexão, com o objetivo de proteger o período de descanso e impedir que os bancários sejam obrigados a responder a mensagens de gestores ou atender clientes fora da jornada de trabalho.
A proposta global da Fenaban prevê ainda o abono do dia da paralisação nacional de 20 de agosto nas bases que aprovarem o acordo em assembleia.
Proteção diante do fechamento de agências
Também foram negociadas medidas de proteção aos bancários demitidos em decorrência do fechamento de agências, incluindo indenização, qualificação e apoio à recolocação profissional.
Os trabalhadores abrangidos terão acesso a atendimento individualizado, cursos de qualificação e inclusão em um banco de talentos. O programa será desenvolvido pela consultoria Gi Group, responsável por conectar os participantes a empresas de acordo com suas competências profissionais.
As medidas buscam ampliar a proteção aos trabalhadores diante da redução acelerada da rede física dos bancos. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, foram fechadas aproximadamente 9,5 mil agências no país. Somente no primeiro semestre de 2026, os maiores bancos encerraram 669 unidades.
Da Redação


