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Ato em defesa do BB em Brasília alerta: privatização ameaça empregos e força da categoria

16 de Outubro de 2026 às 08:41


Se muitos bancários já trabalham sob pressão e adiam cuidados com a saúde por medo de se afastar, que liberdade terão para negociar sozinhos com o patrão? A provocação do presidente da Federação Centro-Norte e do Sindicato de Brasília, Rodrigo Britto, marcou o ato realizado nesta quinta-feira (15), em frente ao Edifício BB, na 201 Norte, contra a privatização do Banco do Brasil e em defesa dos direitos do funcionalismo.

Com uma versão impressa do programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL), Britto relacionou a proposta de retomada das desestatizações à defesa da negociação direta entre empregado e empregador. Para o dirigente, essa combinação ameaça tanto o patrimônio público quanto a capacidade dos trabalhadores de enfrentar o poder econômico dos bancos.

“Imagina sem o sindicato. Imagina você ter uma relação direta com o patrão. Imagina se esse banco for privatizado”, questionou. Ao lembrar colegas que trabalham com atestado médico guardado e receio de cuidar da própria saúde, Britto expôs a desigualdade que o discurso da livre negociação individual deixa de enfrentar.

A mobilização ocorreu na semana em que o BB completou 218 anos. Para o diretor do Sindicato Rafael Saldanha, defender essa história exige preservar a instituição pública e cobrar melhores condições para quem garante seu funcionamento.

“O Sindicato tem, sim, uma posição nessa disputa, e a posição é pela defesa do banco público, mas também pela defesa da qualidade dos empregos”, afirmou. Saldanha ressaltou que as condições atuais precisam melhorar e que a escolha política também envolve a possibilidade de manter o diálogo e avançar nas negociações. A defesa do BB, acrescentou, está ligada ao retorno que o banco deve oferecer à sociedade.

Funcionária da instituição há 26 anos, a diretora do Sindicato Zezé Furtado mostrou como essa discussão alcança a vida das famílias. “Estou aqui hoje pela estabilidade do meu emprego, pela estabilidade da minha vida, pelo futuro dos meus netos”, declarou.

Zezé destacou a força da negociação coletiva dos bancários, construída em sucessivas campanhas. Sua preocupação é preservar a organização que permite à categoria defender salários, benefícios e condições de trabalho, sem deixar cada empregado isolado diante da empresa.

O diretor da Contraf-CUT Jeferson Meira, o Jefão, chamou os funcionários a levar a sério as propostas anunciadas na campanha. “Eles estão avisando”, alertou. Ao recordar a MP 905, do governo Bolsonaro, e seus ataques à jornada bancária, o dirigente reforçou que o risco de retrocesso precisa ser avaliado também à luz do que a categoria já enfrentou.

Britto retomou a palavra para contestar o discurso que trata estatais como espaços de apadrinhamento, desconsiderando o trabalho de seus funcionários. A resposta do ato foi vincular a defesa do BB à sua função pública: proteger os empregos e a negociação coletiva também é preservar as condições para que o banco continue servindo à sociedade.

Da Redação

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