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FIM DA ESCALA 6X1

A gente quer trabalhar pra viver. E não viver pra trabalhar!

23 de Fevereiro de 2026 às 10:01


Brasil de Fato

"A vida não cabe em um dia".

"Pela vida além do trabalho".

"A vida não tem hora extra."

Nos atos públicos em defesa da democracia e direitos sociais, grandes faixas e vigorosas falas resumem o repúdio à escala 6 X 1, o trabalho por 6 dias e apenas um de folga.

Folga?

Para as mulheres, grande parte da classe trabalhadora, a escala acaba sendo 7 X 0, com sete dias de trabalho, pois no dia da folga sobra o trabalho mais invisível de todos: o trabalho de casa. Organizar, lavar, arrumar, varrer, ajeitar a comida, orientar, auxiliar, ouvir, cuidar. E vira cansaço o que deveria ser o único dia de descanso. É medonho.

Reduzir a jornada, mas não o salário

A luta para derrubar a escala 6 X 1 sem reduzir salário saiu das ruas e chegou ao Planalto e ao Congresso.

No Congresso tem um Projeto de Emenda à Constituição (PEC), da deputada federal Erika Hilton (Psol/SP), PEC 8/25 e outro do deputado federal Reginaldo Lopes (PT/MG), PEC 220/19. Ambos projetos tratam da regulamentação do Art 7° da Constituição sobre a jornada de teabalho, que é de 44 horas semanais.

Unificados, os projetos de Erika Hilton e Reginaldo Lopes e PEC de Érika Hilton E começaram a andar, no Congresso, a partir de 9 de fevereiro2026.

Na mensagem ao Congresso, enviada em 2 de fevereiro de 2026, o presidente Lula foi enfático e preciso ao apontar as razões pelas quais é preciso acabar com a escala 6 X 1:

"O tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família", disse Lula.

Dar um fim à escala 6 X 1 tem muito apelo popular. Pesquisa feita pela Nexus no final de janeiro e início de fevereiro2026 mostra que 84% de brasileiros e brasileiras concordam que haja pelo menos 2 dias de descanso, seria a escala 5 x 2, já praticada em muitas categorias profissionais, bancários, por exemplo, por força de acordos coletivos. E que 73% de pesquisados querem o fim da escala 6 x 1.

Com o mercado aquecido, algumas empresas têm contratado celetistas com escala 5 X 2, como item de atração ao trabalho. Confirmando que é urgente mudar o Art 7° da CF, trazendo a escala de trabalho à realidade do país e às necessidades de suas populações, em especial as que mais precisam!

Quem é do contra

Só apelo popular não basta para derrubar a escala 6 x 1, como estampa a continuamente a mídia nativa.

Não é de estranhar.

Cada avanço em direitos para a classe trabalhadora foi alardeado pela mesma mídia como a quebradeira das empresas e do país. Foi assim com o 13° salário, para dar um exemplo.

é claramente contrária a que se mude a escala 6 X 1. Outro exemplo é a valorização do salário-mínimo, sempre um Deus-nos-acuda ao empresariado.

Também são do contra setores empresariais de associações comerciais, de serviços e industriais, como a Fiesp. E parlamentares como os deputados Nikolas Ferreira (PL/MG) e Sóstenes Cavalcante (PL/RJ). O argumento é que se derrubada a escala 6 X 1, o custo das empresas aumentaria, o desemprego poderia aumentar, além de crescer a informalidade e a inflação.

Abolir a 6x1 reduz desigualdades

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apresentou em 10de fevereiro de 2026 resultado de recente pesquisa evidenciando que o impacto no custo operacional seria inferior a 1%, nas áreas de indústria e comércio, com base na Relação Anual de Informações Sociais- RAIS de 2023, 44 milhões celetistas.

Adianta ainda que como o mercado de trabalho está muito aquecido, absorverá esse custo com tranquilidade, assim como absorveu a política de reajuste do salário-mínimo sem quebrar ou aumentar a inflação.

O país as empresas têm lastro econômico para promover essa mudança e reduzir desigualdades para populações jovens, pretas, pardas que estão no maior contingente da 6 x 1 e com a menor remuneração. Então, cai a suposta trava financeira. Resta a política.

A pesquisa do Ipea mostra que reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, adotando a escala 5 x 2 daria um impacto de 7,84% no custo do trabalho. Se a escala fosse 4 X 3, com jornada de 36 horas, o impacto seria de 17,57%. E que o momento é propício para alterar a Constituição, mudando a escala de trabalho para que se trabalhe para viver.

Neste intenso e curto 2026, após a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais, é preciso acompanhar a caminhada do projeto no Congresso, engrossar a luta e continuar nas ruas e nas redes até mudar a escala 6 X 1, permitindo vida além do trabalho, saúde, tempo pra si e pra família, além de abrir novos postos de trabalho. É dignidade na veia! Urge ter mais tempo para viver e não só trabalhar!

Atenção, vigilância, unidade e luta até derrubarmos a escala 6 X 1 e tenhamos tempo para viver, além de trabalhar. Afinal, como estampam as faixas nos atos públicos, refletindo mais uma decisiva luta da classe trabalhadora: "A vida não cabe em um dia!"

* Vera Paoloni é presidenta da CUT PA e dirigente do Sindicato dos Bancários do Pará e da Fetec-CUT/Centro-Norte.

(Fontes: ICL notícias, Agência Brasil e IPEA)

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