
A 19ª Conferência Regional da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) aprovou neste sábado 6 de junho, em encontro virtual, as propostas discutidas e aprovadas pelas bases dos 13 sindicatos filiados e homologou os delegados e delegadas eleitos nos mesmos fóruns que representarão a categoria das regiões Norte e Centro-Oeste nos encontros nacionais dos bancos privados, congressos dos bancos públicos e na 28ª Conferência Nacional dos Bancários, que serão todos realizados em São Paulo entre os dias 17 e 21 de junho.
Nos encontros nacionais, a categoria aprovará a pauta geral de reivindicações da Campanha Nacional 2026 que será apresentada à Fenaban e as pautas específicas aos bancos, públicos e privados. Os Encontros de Bancos Privados, o 41º Conecef e o 36º CNFBB serão realizados de 17 a 19 de junho. E a 28ª Conferência Nacional dos Bancários acontece nos dias 19, 20 e 21 de junho.
“Nossa conferência é o resultado dos debates das nossas bases sindicais. As propostas foram aprovadas e os delegados aos fóruns nacionais foram eleitos nas suas bases. A Conferência Regional não interfere nas entidades de base e é um fórum de compartilhar informações e fazer a discussão dos nossos problemas e propostas. Na Conferência Regional referendamos as decisões dos sindicatos, que serão enviados para os encontros nacionais”, disse Rodrigo Britto, presidente da Fetec-CUT/CN.
Na primeira parte da 19ª Conferência Regional, todos os presidentes ou representantes dos sindicatos filiados fizeram uma avaliação sobre a situação em suas bases e as principais reivindicações apontadas pelos bancários na consulta organizada pela Contraf-CUT para a Campanha 2026. São elas: aumento real de salário, fim das metas abusivas e do assédio moral, que estão provocando adoecimentos em massa na categoria, fim das demissões e do fechamento de agências principalmente nos bancos privados.
Os dirigentes também defenderam a necessidade de pressionar as direções do Banco do Brasil e da Caixa, que adotam modelos de gestão semelhantes aos dos bancos privados, abandonando seu papel social como bancos públicos e piorando cada vez mais as condições de trabalho, com metas abusivas, assédio e adoecimentos mentais.
Houve consenso também de que além de mobilizar a categoria para garantir e ampliar direitos econômicos e sociais na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) na campanha deste ano, será imprescindível a mobilização dos trabalhadores na campanha eleitoral de outubro para garantir a vitória da democracia e da soberania nacional, elegendo para a presidência da República, para os governos estaduais, para o Congresso Nacional e para as assembleias legislativas lideranças que defendam os interesses da classe trabalhadora.
Falaram na abertura da Conferência Edvaldo Almeida de Oliveira (Nenem Almeida), ex-presidente do Seeb do Acre; Marcelo Lugo, presidente do Seeb Ponta Porã; Ivone Colombo, presidenta do Seeb Rondônia; Bruna Athayde La Guárdia, atual secretária-geral e candidata a presidenta pela Chapa 1 no Sintraf Amapá; Janes Estigarribia, presidente do Seeb de Dourados; Amarildo Carvalho, presidente do Sintraf-Ride; Adauto Andrade Martins, presidente do Seeb de Roraima; Sebastião Tavares, recém-eleito presidente do Seeb Rondonópolis; João Dourado, presidente do Seeb Mato Grosso; Neide Rodrigues, presidenta do Seeb Campo Grande e vice-presidenta da Fetec; Eduardo Araújo; presidente do Seeb de Brasília; e Tatiana Oliveira, presidenta do Seeb Pará.

As transformações no mundo do trabalho com a IA
A segunda mesa de debate foi sobre As transformações no mundo do trabalho com o uso da Inteligência Artificial, a partir de um estudo apresentado por Tainá Aguiar Junquilho, assessora legislativa do tema Direito Digital e Inteligência Artificial da liderança do governo no Senado, doutora em Direito e professora de Inovação e Tecnologia na |UnB.
Tainá explicou que IA faz parte da quarta revolução industrial, onde “tudo agora está interconectado e não temos direito à desconexão” e “os dados são a grande matéria-prima para o desenvolvimento da grande tecnologia, que traz uma série de consequências”.
Por outro lado, destacou a professora, “por um lado estamos na sociedade em rede ou da informação e por outro lado vivemos a era da desinformação, o que traz novos desafios para os trabalhadores”.
Taina discutiu as transformações causadas pela inteligência artificial no mundo do trabalho, questionando se ela gera ruptura ou continuidade. Ela explicou como a IA generativa afetou especialmente o trabalho humano criativo e discutiu as questões de direitos autorais e exclusão digital que surgiram com a virtualização de serviços. A professora também abordou diferentes perspectivas sobre essas mudanças e mencionou algumas regulamentações existentes no Brasil, como o PEBA, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, e a lei 15.211 (ECA digital).
“A tecnologia está em disputa e os sindicatos precisam se capacitar para entender e elaborar estratégias para combater os prejuízos que elas podem trazer e usar a tecnologia a nosso favor, para mobilizar os trabalhadores nas suas lutas por direitos”, concluiu Tainá.


Fonte: Fetec-CUT/CN


