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8 de Setembro de 2016 às 10:36

Após recorde no primeiro dia de greve dos bancários, Fenaban admite negociar reajuste

Sindicato do setor patronal e comando de greve se reúnem nesta sexta (9) para debater pauta de reivindicações e melhorar proposta inicial de reajuste, que nem sequer cobre a inflação dos últimos 12 meses


Crédito: CONTRAF-CUT
Agência bancária fechada em Criciúma-SC. Greve dos bancários tem alcance nacional e mostra categoria unida

por Redação RBA

 São Paulo – O primeiro dia de greve dos trabalhadores bancários em todo o Brasil – na terça-feira (6), foi considerado pelos dirigentes sindicais o de maior adesão da história de luta da categoria. No final do dia, a Fenaban, que representa o setor patronal, chamou a categoria para nova rodada de negociações amanhã (9), às 11h, em São Paulo. A greve entra em seu terceiro dia hoje.

Segundo a Contraf-CUT, entidade que reúne os sindicatos de bancários do país, foram 7.359 agências, centros administrativos, centrais de atendimento e serviços de atendimento ao cliente (sac) paralisados. Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários, disse que desde as primeiras horas da greve, as notícias que chegaram sobre o movimento foram animadoras. "Isso com toda certeza vai impactar na Fenaban e com toda a certeza vai ajudar no convencimento rumo a uma proposta decente, que valorize os bancários e bancárias", afirmou, em nota publicada no site da entidade.

Para Roberto, a conjuntura política e o cenário econômico difíceis valorizam a intensidade com que a categoria mostrou apoio às reivindicações. "Quando percebemos que, num ano difícil, num cenário duro de instabilidade política, de crise, de negociação muito dura com a Fenaban, os bancários aderiram, tivemos certeza de que isso ia estimular a Fenaban a retomar o contato conosco para fazer a negociação."

O comando de greve se reúne com os representantes dos bancos e Roberto disse esperar que a proposta do setor patronal "seja revestida de decência". "Que o banqueiro não queira reduzir nosso salário e que apresente condições objetivas para que a gente possa caminhar para a solução do conflito, não penalizando a sociedade com a greve. Os bancários não gostam de greve, quem gosta de greve é o banqueiro."

Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, reforça que a greve, mais uma vez, foi o último recurso da categoria, já que a Fenaban insistiu em apresentar alternativas insatisfatórias para as reivindicações dos trabalhadores, apesar de representar o setor mais lucrativo da atividade econômica do país.

"O fim da greve depende dos bancos. Esperamos que eles façam nova proposta condizente com seus lucros, que somente nos seis primeiros meses deste ano bateram a casa dos R$ 29,7 bilhões", disse a dirigente. "Queremos respeito aos empregos, isso é prioridade para a categoria. Desde 2012 os bancos eliminaram mais de 23 mil postos. Somente de janeiro a julho deste ano foram 7.897 empregos a menos", completa. Juvandia é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que amanhã volta a debater a campanha salarial com o setor patronal.

Desde a data da entrega da minuta de reivindicações dos bancários à Fenaban, no dia 9 de agosto, já ocorreram cinco rodadas de negociações, sem que houvesse proposta considerada decente aos trabalhadores. A proposta que a Fenaban apresentou no dia 29 de agosto foi de reajuste de 6,5% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. O índice proposto é inferior à inflação do período, projetada em 9,57% para agosto deste ano, e representa perdas de 2,8% para os bancários.

Entre as reivindicações dos bancários estão: reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, combate às metas abusivas, ao assédio moral e sexual, fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A defesa do emprego também é prioridade, assim como a proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora.


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