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9 de Janeiro de 2019 às 08:18

Em posse, novos presidentes dos bancos públicos confirmam intenção de privatizar


Crédito: Reprodução

Brasília - O plano da equipe econômica de Jair Bolsonaro de privatizar os bancos públicos começa a sair do papel. Durante a posse dos presidentes Rubem Novaes (Banco do Brasil), Pedro Guimarães (Caixa) e Joaquim Levy (BNDES), nesta segunda-feira (07), confirmou-se que as recomendações do presidente eleito e do ministro da Economia, Paulo Guedes, de ter o enxugamento como norte nos bancos, além das privatizações “do que for possível”, serão atendidas à risca e de imediato.



O novo comandante do BB, o economista liberal Rubem Novaes, afirmou que pretende privatizar parte do banco, mas rejeitou críticas de que venderá as "joias da coroa". “Ativos que não guardam sinergias com as atividades principais do banco, nestes casos, consideraremos o desinvestimento”, disse. Com isso, ele confirma que pretende buscar “parceiros complementares”.



O economista já havia admitido a estratégia de vender “braços” do banco, como nos setores de seguro, administração de cartões, investimentos e participações, com o argumento de tornar o BB mais competitivo. Durante a campanha, Paulo Guedes chegou a sinalizar a intenção de propor uma fusão do maior banco público do país com o Bank of America.



Para o presidente do Sindicato, Eduardo Araújo, “se o governo não realizar uma reforma para acabar com a desigualdade tributária no país, a única forma que ele tem de gerar superávit primário é com a venda de ativos das empresas estatais ou com o aumento de impostos”.



Caixa fatiada



Especialista em privatizações, Pedro Guimarães assume a Caixa e afirma que abrirá o capital de todas as subsidiárias do banco como forma de quitar dívidas com o Tesouro, que passa de R$ 40 bilhões. A venda das participações ocorrerá nos segmentos de seguros, cartões, assets (investimentos) e loterias.



Para o movimento sindical, essa privatização fatiada, aos poucos, será ampliada e se consolidará, sendo necessária muita resistência dos trabalhadores do banco e da sociedade para manter a Caixa pública.



Durante manifestações em defesa dos bancos públicos realizado em todo o país pelos sindicatos, reforçou-se que a Caixa deve continuar 100% pública, devendo criar-se medidas que a fortaleçam. A Caixa é sinônimo de eficiência, tradição, segurança, idoneidade e bons serviços. Sem bancos públicos o Brasil fica mias vulnerável a crises, mais pobre e com menos capacidade de atuar em defesa das pessoas e das pequenas e médias empresas. Perde toda a sociedade.



Maioria da população é contra as privatizações 



Pesquisa do Instituto Datafolha, realizada nos dias 18 e 19 de dezembro passado com 2.077 pessoas em 130 cidades brasileiras, aponta que 60% dos brasileiros são contra as privatizações. Apenas 34% concordam que o governo deve vender o maior número possível de suas empresas. Outros 5% não têm opinião formada e 1% é indiferente.



De acordo com a pesquisa, mesmo com as empresas públicas sucateadas, sem reposição de funcionários e cortes de investimentos, que prejudicam o atendimento à população e o total cumprimento de suas atribuições, as pessoas reconhecem a sua importância para o desenvolvimento e a manutenção da soberania nacional, uma vez que elas são responsáveis pela maior parte da carteira de crédito do país e do financiamento de importantes setores da economia, como o agronegócio.



Perfil dos presidentes



O novo comandante da Caixa, Pedro Guimarães, é um especialista em privatizações. Ele é um dos responsáveis por fazer o levantamento das estatais que podem ser vendidas na gestão Bolsonaro. Sócio do banco de investimento Brasil Plural, atua há mais de 20 anos no mercado financeiro na gestão de ativos e reestruturação de empresas.



Rubem Novaes, do BB, é PhD em Economia pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), foi diretor do BNDES, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).



Joaquim Levy, que assume o BNDES, é engenheiro naval com doutorado em Economia pela Universidade de Chicago, foi ministro da Fazenda na gestão Dilma Rousseff e secretário do Tesouro no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Estava na diretoria do Banco Mundial antes de assumir o BNDES.



 

Mariluce Fernandes


Do Seeb Brasília


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